Sacos de Plástico

Não concordo com todas as taxas e taxinhas, sobretudo aquelas mascaradas de boas intenções para encher os cofres do estado. Mas concordo com a taxa dos sacos de plástico. Quem é contra vai dizer que as pessoas continuam a utilizar sacos de plástico porque precisam e que a única diferença é que agora pagam mais, logo menos rendimento para as pessoas e mais rendimento para o estado. A solução parece no entanto bastante simples: deixar de utilizar (tantos) sacos de plásticos. Não há taxas pagas ou taxas recebidas e não há tantos sacos espalhados por aí.

No meu caso eu noto bem a diferença. Antigamente quando ia a uma grande superfície comercial, o funcionário da caixa dava-me mil sacos de plásticos e no tempo dos meus pais até punham alguns a mais para “o que fosse preciso”. Num dia de compras no mês, levava para casa facilmente mais de 10 sacos de plásticos. Desde que passaram a ser pagos, levo apenas 1. E para as compras do mês levo sacos de casa maiores.

A evolução da humanidade faz-se de pequenas vitórias e muitas vezes têm que ser forçadas porque o ser humano é na maior parte das vezes um ser irracional.

 

Fonte http://apambiente.pt/sacosplastico :

1MILHÂO DE SACOS LEVES UTILIZADOS POR MINUTO NO MUNDO
100MIL MILHÕES POR ANONA EUROPA
466 POR PESSOA POR ANO EM PORTUGAL
25 MINUTOS DE VIDA ÚTIL
300 ANOS NO AMBIENTE

 

    • Os sacos de plástico leves são prejudiciais para o ambiente e para a saúde.
    • Por minuto, são utilizados cerca de 1 milhão de sacos de plástico leves no mundo. Por ano, circulam 100.000 milhões na Europa.
    • Portugal é um dos países da Europa onde mais são (eram?) utilizados e apenas por 1 vez. Tudo isto para serem usados por apenas 25 minutos.
    • A produção, transporte e tratamento destas grandes quantidades de sacos em circulação é responsável pelo consumo de muitos recursos, incluindo água e petróleo.
    • No lixo misturam-se com o resto dos resíduos. Acabam por isso nos aterros ou no ambiente, onde podem permanecer mais de 300 anos.
Uma grande quantidade de sacos invade hoje os oceanos, onde são o 2.º resíduo mais encontrado à superfície do mar (depois dos cigarros).

Em terra e no mar asfixiam e são ingeridos pelos animais, reduzindo a biodiversidade e entrando na nossa cadeia alimentar.

O GDPR e as empresas portuguesas

O GDPR entra em vigor em todos os países da UE em Maio de 2018.

Enquanto que as grandes empresas multinacionais estão a finalizar a implementação de processos para dar resposta ao exigido por este novo regulamento em termos de privacidade de dados pessoais, as empresas portuguesas vão adiando a sua implementação sobretudo devido à… inércia.

Isto é revelador do tipo de gestores portugueses, ou seja, tudo o que não tem impacto direto no negócio a curto prazo não é prioritário. Ora agora imagine-se gastar os recursos da empresa a implementar uma coisa que se “limita” a cumprir com a regulamentação e que não é para aumentar a faturação de cada trimestre…

Não vou aprofundar o motivo pelo qual as empresas multinacionais estão mais à frente (que resulta sobretudo de estarem em vários países que são afetados pelo mesmo regulamento), o que me preocupa é as empresas portuguesas não estarem nem aí…

É por isso que em Portugal é tudo regulamentado, implementado à força através de lei… tem que ser assim senão ninguém faz nada. E mesmo assim, como é o caso, ainda jogam as empresas com a probabilidade de não virem a ser fiscalizadas quando neste momento não haverá equipas nos orgãos competentes que consigam supervisionar todas as empresas em Portugal e garantir a implementação deste regulamento.

Isto leva-nos a outro ponto e que está relacionado com a concorrência. As poucas empresas que estão a investir recursos e pessoas para garantir a implementação do GDPR estão a tornar-se menos competitivas no curto prazo. Se efetivamente não houver fiscalização, então perdem competitividade a médio prazo porque passam a ter processos mais lentos, mais burocráticos, mais controlados e com mais pessoas.

É com expectativa que aguardo por Maio de 2018 para me admirar com a capacidade de improviso dos portugueses, das empresas portuguesas e do estado português.

Bem sei que esta realidade é transversal a muitos países da UE, mas apeteceu-me escrever sobre Portugal.

Aguardemos.

Luís

O que é que a Alemanha tem que os outros não têm?


Em 8 de Maio de 1945, quando capitulou perante os Aliados, a Alemanha era um país devastado; poucos anos volvidos era a potência económica n.º 1 da Europa. O que aconteceu entretanto?

(…)

Os bombardeamentos aliados destruíram um quarto dos 16 milhões de lares alemães (…), produzindo um volume total de escombros estimado em 400 milhões de metros cúbicos e deixando sem casa 18 a 20 milhões de alemães.

(…)

os especialistas em planeamento urbano estimaram que a reconstrução levaria pelo menos 70 anos – e acabaram por não andar longe da verdade, já que a Frauenkirche, uma das mais belas igrejas da cidade, só viu o seu restauro concluído em 2005.

(…)

As perdas humanas elevaram-se a 4,5 milhões de soldados e 1,5 milhões de civis…

(…)

Na Alemanha de 1945 não só havia um milhão de órfãos de guerra como muitas famílias tinham ficado separadas devido às deslocações e convulsões dos últimos meses de guerra. No Verão de 1945 havia 53.000 crianças perdidas só em Berlim.

In jornal observador aqui

High concept e High touch

Para sobreviver nesta era, as pessoas e as organizações precisam de analisar a sua actividade profissional e econômica e de colocar a si mesmas três questões:

1- alguém pode fazer o mesmo noutro pais por menos dinheiro?

2- um computador consegue fazer o mesmo mais rapidamente?

3- o que tenho para oferecer tem procura neste cenário de abundância?

– Daniel H. Pink, A nova inteligência

O Poder Na Sociedade

Adriano Moreira, ao abordar a temática das elites, considera que: “O Poder só pode ser exercido por uma minoria organizada, e tal minoria organizada constitui uma classe dirigente ou uma classe política” (…). “Essa homogeneidade do grupo disposto a mandar traduz-se numa força que domina os sectores desorganizados da sociedade.” Álvaro Nóbrega, A Luta Pelo Poder na Guiné-Bissau.

Anomia

Wikipedia.org

A anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. A partir do surgimento do Capitalismo, e da tomada da Razão, como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa.
A Modernidade, com seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se “estar à deriva,” participando inconscientemente dos processos coletivos/sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade.
Este termo foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro O Suicídio. Durkheim emprega este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica. Algo desse corpo está funcionando de forma patológica ou “anomicamente.” Em seu famoso estudo sobre o suicídio, Durkheim mostra que os fatores sociais – especialmente da sociedade moderna – exercem profunda influência sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida.

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Anjos de Cara Suja

(…) não leva a carta na pasta, mas num bolso interior do casaco, por medo de que lha possa arrebatar algum pequeno díscolo desencaminhado, como em tempos passados se chamava aos rapazes criados na libertarem da rua, depois anjos de cara suja, depois rebeldes sem causa, hoje delinquentes que não beneficiam de eufemismos nem de metáforas. – José Saramago, O Homem Duplicado

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Classes

Ai, homem, como vives enganado! O quinhão de dores e provações foi indistintamente repartido por todas as classes, sem privilegio de nenhuma. Há infortúnio e misérias que causam o tormento dos grandes e poderosos, e que os pobres e humildes nem experimentam, nem imaginam sequer. – ( Padre António para José das Dornas ) – As Pupilas do Senhor Reitor, Júlio Dinis

Economia Livre

Para Keynes, a opção entre uma economia controlada e uma economia “livre” deixara de existir; havia apenas a opção entre diferentes tipos de dirigismo. Um discípulo de Keynes expressou isto da seguinte maneira: “O fascismo é a forma que a nossa sociedade capitalista adquirirá no futuro, a menos que sejamos bem sucedidos na realização das reformas keynesianas ou na criação de uma economia socialista”. – Paul Mattick, Marx e Keynes, Os Limites da Economia Mista

Crise 70 EUA

Na década de 1970, aquando da crise energética causada pelo embargo do petróleo árabe, nos estados norte-americanos produtores de gás e petróleo, como o Texas e a Califórnia, muitas pessoas circulavam com dísticos colados no vidro do carro onde se lia “deixem esses desgraçados morrer de frio no escuro”, referindo-se aos seus concidadãos dos outros estados, com quem tinham de repartir as suas reservas energéticas. Trata-se de exemplo em que as tensões económicas causaram uma quebra de solidariedade colectiva que sustenta uma unidade política supranacional e supraétnica. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

José Pepe Mujica Río + 20

José Pepe Mujica Río + 20

Wikipedia.org

José Alberto Mujica Cordano (Montevidéu, 20 de maio de 1935) é um agricultor e político uruguaio, atual presidente da República Oriental do Uruguai eleito em 29 de novembro de 2009.
Já foi deputado, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca e, durante a juventude, militou em atividades de guerrilha, como membro do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros.

Rio+20
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), conhecida também como Rio+20, foi uma conferência realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 na cidade brasileira do Rio de Janeiro, cujo objetivo era discutir sobre a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável.
Considerado o maior evento já realizado pela Nações Unidas, o Rio+20 contou com a participação de chefes de estados de cento e noventa nações que propuseram mudanças, sobretudo, no modo como está sendo usado os recursos naturais do planeta. Além de questões ambientais, foram discutidas, durante a CNUDS, questões relacionadas à questões sociais, como a falta de moradia, por exemplo.
O evento ocorreu em mais de dez locais diferentes, tendo o Riocentro sido o principal local de debates e discussões da Rio+20. Além deste, o evento foi realizado, oficialmente, no Aterro do Flamengo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em mais de cinco outros locais.

Sistemas centralizados

À medida que as sociedades se tornam mais complexas e o produto da actividade económica cresce, tal como a especialização do trabalho, a estrutura política tende a complicar-se. A população cresce e a tecnologia de produção torna-se mais complexa. Isso, por sua vez, dá origem a excedentes que não são consumidos imediatamente e têm de ser guardados, ou então, trocados através do comercio. A existência de excedentes cria a oportunidade para alguns indivíduos ganharem ascendente sobre os restantes, através do controlo desses excedentes. A tendência é para surgirem indivíduos que se tornam verdadeiros chefes com poder, e, finalmente, elites que dão origem a uma estrutura centralizada do tipo estatal. Numa sociedade-estado, as relações sociais e económicas são controladas principalmente por um pequeno número de pessoas que acaba por se transformar numa elite política governante.Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Governo na sociedade nuer

Citando E. Evans-Pritchard 1940: 181-182:

“A falta de orgãos de governo entre os nuer, assim como a ausência de instituições legais de liderança avançada e, geralmente, de vida politica organizada, são notáveis. (…) A anarquia ordeira em que vivem está perfeitamente de acordo com o seu carácter, pois é impossível viver entre os nuer e conceber a existência de governantes que os governem. (…) Os nuer são o produto do crescimento em condições duras e igualitárias, produndamente democráticas, e que facilmente dão origem à violência. Este espírito turbolento, acha quaquer forma de constrangimento irritante e nenhum homem nuer reconhece a superioridade de outro. A riqueza não faz qualquer diferença. (…) Não existe senhor ou criado na sociedade nuer, apenas iguais que se olham a si mesmos como a mais nobre criação de Deus. (…) Entre os nuer, até mesmo a suspeita de uma ordem irrita um homem, (…) ele não se submeterá a nenhuma autoridade que vá contra o seu próprio interesse e não se considerará obrigado em relação a nenhum outro homem.

Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

 

Wikipedia.org:

Os nuers são uma confederação de tribos localizadas no sul do Sudão e no oeste da Etiópia.

Segundo E.E. Evans-Prichard são um exemplo clássico de linhagem segmentária ou linhagem multicentrica como solução de o problema de a unidade tribal; cerca de 200 000 vivem em povoados cultivando milho durante a estação das chuvas e pastoreando gado em regime de nomadismo quase constante durante as estações secas; seu sistema social é fluido tendo fama de serem em termos individuias de uma independência feroz; ainda que exista uma completa falta de autoridade centralizada ou de qualquer tipo de autoridade formal que transponha os limites de o povoado os Nuer são capazes de unirem-se em grupos cada vêz mais amplos para fazerem frente a ameaças exteriores; E.-Pritchard caracterizava os Nuer como um estado acefalo sem órgãos legislativos, judiciais ou executivos. Longe de serem uma comunidade caótica mantém uma forma permanente e coerente que poderia-se chamar de anarquia ordenada.