No final de contas, o que interessa ter saúde se acabarmos por morrer à sede ou com fome?

Jantava eu num restaurante quando a meio me apercebi estar numa casa de fados em Benfica. Gosto de fado mas não estava no mood para começar a jantar às escuras a ouvir fado, sobretudo porque apenas 1 dos 3 fadistas que subiu ao palco era realmente bom. Eu e os meus companheiros ficámos uma pouco deslocados no espaço até porque a sala estava quase vazia e tivemos que bater palmas e cantarolar. Afinal de contas, quem é que vai a uma casa de fados para estar a falar enquanto tocam os senhores. Mas a meio da performance, enquanto tentávamos comer o jantar sem que parecesse falta de educação tirar os olhos dos artistas, o fadistas sai-se com os seus votos para 2019. Entre alguns que elegeu, para ele o mais importante era a saúde. Porque sem saúde tudo o resto não traz alegria, relativamente. Ora, parece um cliché desejar saúde nos momentos festivos, mas de fato, a saúde é um dos pilares para a satisfação das necessidades do ser humano. De acordo com Abraham Maslow, o ser humano rege sua vida de acordo com as suas necessidades, que podem ser divididas em Fisiológicas, Segurança, Social, Estima e Realização Pessoal.

As necessidades fisiológicas são as necessidades básicas do ser humano. Depois de alcançadas, consegue avançar para o alcance das necessidades de segurança — e assim sucessivamente, até atingir as necessidades de realização Pessoal.

Nas sociedades contemporâneas, desejar saúde é bom sinal. Quer dizer que pelo menos a parte do ar e restantes componentes das necessidades fisiológicas são dadas como certas.  De qualquer das formas, para o futuro vou passar a desejar “muita comida e água para que não passes por necessidades básicas”. No final de contas, o que interessa ter saúde se acabarmos por morrer à sede ou com fome?

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Até que um dia a humanidade seja comida pela humanidade

O meu primeiro texto num blog que começou por ser um espaço para registar citações de livros que leio e passou a ser um espaço para mim. Inquieta-me o tempo em que vivemos. De resto como terá inquietado gerações passadas o seu tempo, o que me leva a concluir que esta inquietação é cíclica e que apenas não é permanente para alguns povos no mundo. Dos livros que tenho lido e publicado aqui algumas citações retenho que o mundo é feito de pessoas e culturas e da necessidade de povos conquistarem espaços além fronteiras, unirem os seus povos para se sobreporem a outros povos. Nesta necessidade de expansão resulta que uns saem vencidos e outros vencedores. Uns ficam do lado dos vencidos e outros do lado dos vencedores. O mundo divide-se. E mais tarde une-se novamente em torno de novos objectivos contra o objectivo de outros. É um ciclo. É quase uma rotina desgastante para a humanidade no entanto a memória de peixe de cada geração não permite evitar reiniciar o mesmo ciclo… Da mesma forma.
A exploração dos exploradores sai todas as semanas nas notícias do mundo. Mas mesmo assim ninguém percebe nada. Porquê invadir o Iraque? Porque os confrontos Israel-Palestina? Porque o Egipto? Porquê a Catalunha? Porque a Islândia? Ninguém sabe nada. Quem sabe troca impressões com quem sabe mas não consegue transmitir conceitos ao resto da população. Reinicia-se o ciclo com slogans e títulos sobre esquerda vs direita. Soundbytes que quem não sabe não explora mas utiliza para defender a sua posição (que nem sequer sabe qual é no contexto da humanidade).

E andamos assim. Até que um dia a humanidade coma a humanidade. E que a humanidade seja comida pelo planeta que habita.

Luís