O GDPR e as empresas portuguesas

O GDPR entra em vigor em todos os países da UE em Maio de 2018.

Enquanto que as grandes empresas multinacionais estão a finalizar a implementação de processos para dar resposta ao exigido por este novo regulamento em termos de privacidade de dados pessoais, as empresas portuguesas vão adiando a sua implementação sobretudo devido à… inércia.

Isto é revelador do tipo de gestores portugueses, ou seja, tudo o que não tem impacto direto no negócio a curto prazo não é prioritário. Ora agora imagine-se gastar os recursos da empresa a implementar uma coisa que se “limita” a cumprir com a regulamentação e que não é para aumentar a faturação de cada trimestre…

Não vou aprofundar o motivo pelo qual as empresas multinacionais estão mais à frente (que resulta sobretudo de estarem em vários países que são afetados pelo mesmo regulamento), o que me preocupa é as empresas portuguesas não estarem nem aí…

É por isso que em Portugal é tudo regulamentado, implementado à força através de lei… tem que ser assim senão ninguém faz nada. E mesmo assim, como é o caso, ainda jogam as empresas com a probabilidade de não virem a ser fiscalizadas quando neste momento não haverá equipas nos orgãos competentes que consigam supervisionar todas as empresas em Portugal e garantir a implementação deste regulamento.

Isto leva-nos a outro ponto e que está relacionado com a concorrência. As poucas empresas que estão a investir recursos e pessoas para garantir a implementação do GDPR estão a tornar-se menos competitivas no curto prazo. Se efetivamente não houver fiscalização, então perdem competitividade a médio prazo porque passam a ter processos mais lentos, mais burocráticos, mais controlados e com mais pessoas.

É com expectativa que aguardo por Maio de 2018 para me admirar com a capacidade de improviso dos portugueses, das empresas portuguesas e do estado português.

Bem sei que esta realidade é transversal a muitos países da UE, mas apeteceu-me escrever sobre Portugal.

Aguardemos.

Luís

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Agência do medicamento

O Porto não ganhou a agência do medicamento.

Infelizmente não ganhou. O que nos leva a pensar: e se fosse Lisboa? Quase de certeza que não ganharia também. Mas porque é que estando pensada Lisboa como primeira escolha se cedeu ao lobby do Porto? Das duas uma: ou foi mal pensada a primeira escolha, ou foi bem pensada mas Lisboa não tem um lobby tão forte na área da saúde como o Porto. Até agora continuo a acreditar mais na segunda. E não sei bem porquê. Apenas uma questão de feeling. Daquelas coisas que sentimos mas que podem muito bem não corresponder à realidade.

Luís

mw-1920

Foto retirada daqui.

High concept e High touch

Para sobreviver nesta era, as pessoas e as organizações precisam de analisar a sua actividade profissional e econômica e de colocar a si mesmas três questões:

1- alguém pode fazer o mesmo noutro pais por menos dinheiro?

2- um computador consegue fazer o mesmo mais rapidamente?

3- o que tenho para oferecer tem procura neste cenário de abundância?

– Daniel H. Pink, A nova inteligência

Keynes

[Keynes] Verificou também que é maior a resistência dos trabalhadores a um corte dos salários nominais do que a um abaixamento dos salários reais, o que é, evidentemente, verdadeiros, quanto mais não seja porque é mais fácil entrar em greve do que resistir ao aumento dos preços. Keynes viu que isto permitia métodos mais subtis de cortar nos salários do que a tradicionalmente utilizados. (…) “Tendo em conta a natureza humana e as nossas instituições”, escreveu, “só um insensato preferiria uma política salarial flexível a uma política monetária flexível, a menos que pudesse apontar vantagens na primeira que não existissem na segunda”. – Paul Mattick, Marx e Keynes, Os Limites da Economia Mista