Crise 70 EUA

Na década de 1970, aquando da crise energética causada pelo embargo do petróleo árabe, nos estados norte-americanos produtores de gás e petróleo, como o Texas e a Califórnia, muitas pessoas circulavam com dísticos colados no vidro do carro onde se lia “deixem esses desgraçados morrer de frio no escuro”, referindo-se aos seus concidadãos dos outros estados, com quem tinham de repartir as suas reservas energéticas. Trata-se de exemplo em que as tensões económicas causaram uma quebra de solidariedade colectiva que sustenta uma unidade política supranacional e supraétnica. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Desenvolvimento do terceiro mundo

Portanto, a promessa de “desenvolvimento” para o “terceiro mundo” é uma ilusão que os países industrializados usam para justificarem o seu continuo crescimento industrial e aumento do consumo de energia, porque, no fundo, sabem que essa promessa se cumprisse o seu próprio modo de vida “moderno” (e “pós-moderno) estaria condenado. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Lapões

Na década de 1960 alguns lapões começaram a adquirir motas de neve. Estas tornavam o pastoreio de rebanhos mais fácil e permitiam a um homem fazer o trabalho de vários pastores. A primeira Mota foi introduzida na região 1962, mas em 1970 já havia 70, quer na posse dos lapões quer de outras populações que habitavam a região árctica. A utilização das motas de neve diminuiu o valor social dos pastores que usavam esquis, pois estes começaram a ser vistos como algo “antiquado”. Segundo Pelto (1973), em 1967 já só havia quatro famílias que usavam o trenó puxado por renas, todas as outras haviam comprado motas de neve. As poucas famílias que não possuíam motas de neve sentiam-se numa posição económica e social inferior. A principal consequência da adopção das motas de neve como meio de transporte foi a grande dependência face ao exterior. Motas, peças e gasolina, tudo vinha do exterior. A tecnologia tradicional foi substituída pela tecnologia necessária às motas de neve. O dinheiro tornou-se indispensável na sociedade dos lapões, pois sem ele não podiam adquirir as motas e todos os produtos necessários ao seu funcionamento. Isso fez com que os homens tivessem de encontrar trabalho assalariado duradouro. Antes já havia trabalho assalariado, mas era apenas ocasional.

Tudo isto teria valido a pena se produtividade dos rebanhos tivesse aumentado proporcionalmente aos novos investimentos em “inovação” tecnológica, mas não foi isso que aconteceu. As motas de neve contribuirão para a diminuição de renas. Em 1971 o tamanho médio dos rebanhos familiares tinha descido de 50 para 12 renas, tornando a criação de renas uma actividade economicamente inviável por uma questão de economias de escala (não é possível criar rebanhos muito pequenos porque os animais fogem para se juntarem a grupos maiores). O ruído das motas também perturbou a relação harmoniosa que existia em pastores, lapões e as renas. Estas passavam a associar o ruído à perseguição e abate, fugindo prontamente sempre que ouviam as motas aproximarem-se. No fundo, voltaram a temer a presença humana tal como quando eram selvagens. O stress causado pelo ruído dos motores contribuiu também para a diminuição do número de crias sobreviventes.

O que se passou com os lapões da Finlândia é um exemplo de como a mudança cultural pode não ser adaptativa, pois acabou por levar a que grande parte deles abandonasse o seu modo de vida tradicional a troco de um alternativo que se mostrou inviável.

(…) já não é fácil ser-se um criador como antigamente; é preciso um capital financeiro importante para se iniciar na actividade e um capital de conhecimentos que já não tem origem na pequena comunidade (saber de motas por exemplo). A mudança económica e social fez emergir relações de dependência e clientelagem, criando desigualdades sociais até aí inexistentes e com tendência para se acentuarem. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

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Difusão Cultural

O antropólogo norte-americano Ralph Linton, em The Study of Man (1936), afirmou que o empréstimo cultural tomado de outras sociedades explica 90 por cento do conteúdo cultural de qualquer sociedade. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Wikipédia.org:

Ralph Linton (Philadelphia, 27 February 1893 – New Haven, 24 December 1953) was a respected American anthropologist of the mid-20th century, particularly remembered for his texts The Study of Man (1936) and The Tree of Culture (1955). One of Linton’s major contributions to anthropology was defining a distinction between status and role.

Resistência à Mudança

A grande maioria das pessoas é relutante em relação à inovação e prefere a segurança do que já conhece há muitas gerações. Os britânicos, com a sua condução pela esquerda e o seu sistema de peso e medidas exclusivo, são um bom exemplo de resistência à mudança. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Sistemas centralizados

À medida que as sociedades se tornam mais complexas e o produto da actividade económica cresce, tal como a especialização do trabalho, a estrutura política tende a complicar-se. A população cresce e a tecnologia de produção torna-se mais complexa. Isso, por sua vez, dá origem a excedentes que não são consumidos imediatamente e têm de ser guardados, ou então, trocados através do comercio. A existência de excedentes cria a oportunidade para alguns indivíduos ganharem ascendente sobre os restantes, através do controlo desses excedentes. A tendência é para surgirem indivíduos que se tornam verdadeiros chefes com poder, e, finalmente, elites que dão origem a uma estrutura centralizada do tipo estatal. Numa sociedade-estado, as relações sociais e económicas são controladas principalmente por um pequeno número de pessoas que acaba por se transformar numa elite política governante.Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Governo na sociedade nuer

Citando E. Evans-Pritchard 1940: 181-182:

“A falta de orgãos de governo entre os nuer, assim como a ausência de instituições legais de liderança avançada e, geralmente, de vida politica organizada, são notáveis. (…) A anarquia ordeira em que vivem está perfeitamente de acordo com o seu carácter, pois é impossível viver entre os nuer e conceber a existência de governantes que os governem. (…) Os nuer são o produto do crescimento em condições duras e igualitárias, produndamente democráticas, e que facilmente dão origem à violência. Este espírito turbolento, acha quaquer forma de constrangimento irritante e nenhum homem nuer reconhece a superioridade de outro. A riqueza não faz qualquer diferença. (…) Não existe senhor ou criado na sociedade nuer, apenas iguais que se olham a si mesmos como a mais nobre criação de Deus. (…) Entre os nuer, até mesmo a suspeita de uma ordem irrita um homem, (…) ele não se submeterá a nenhuma autoridade que vá contra o seu próprio interesse e não se considerará obrigado em relação a nenhum outro homem.

Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

 

Wikipedia.org:

Os nuers são uma confederação de tribos localizadas no sul do Sudão e no oeste da Etiópia.

Segundo E.E. Evans-Prichard são um exemplo clássico de linhagem segmentária ou linhagem multicentrica como solução de o problema de a unidade tribal; cerca de 200 000 vivem em povoados cultivando milho durante a estação das chuvas e pastoreando gado em regime de nomadismo quase constante durante as estações secas; seu sistema social é fluido tendo fama de serem em termos individuias de uma independência feroz; ainda que exista uma completa falta de autoridade centralizada ou de qualquer tipo de autoridade formal que transponha os limites de o povoado os Nuer são capazes de unirem-se em grupos cada vêz mais amplos para fazerem frente a ameaças exteriores; E.-Pritchard caracterizava os Nuer como um estado acefalo sem órgãos legislativos, judiciais ou executivos. Longe de serem uma comunidade caótica mantém uma forma permanente e coerente que poderia-se chamar de anarquia ordenada.

Desperdício

A intensificação da agricultura levou à emergência do estado e da vida urbana em cidades. Grandes sociedades-estado surgiram pela primeira vez, e com elas uma população urbana não directamente envolvida na produção alimentar -artesão, carpinteiros, pedreiros, oleiros, cesteiros e outros especialistas – que progressivamente se tornou mais importante. A vida nas sociedades trouxe também uma menor preocupação com a necessidade de preservar os recursos naturais, abrindo-se caminho ao desperdício e ao esgotamento desnecessário dos ecossistemas. As pessoas passaram a estar mais preocupadas com a forma como se relacionavam umas com as outras do que com a forma como se relacionavam com a natureza.

Os camponeses e agricultores que viviam fora das cidades passaram a estar na dependência de uma população urbana que lhes impôs um sistema de tributação, obrigando-os a produzir mais do que as suas necessidades e extraindo-lhes o excedente sob a forma de imposto. A história das grandes desigualdades sociais nasce com a dicotomia entre a cidade e o campo, com os camponeses como oprimidos e a classe urbana como opressora. As relações sociais deixaram de ser cara-a-cara para passarem a ser, em grande parte, impessoais e reguladas por uma burocracia administrativa cada vez maior. A urbanização e o estado abriram caminho a desigualdades sociais que até hoje não foram ultrapassadas. –Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Civilização Primitiva

Em alguns casos, grupos de caçadores-recolectores e pequenas sociedades que vivem de uma agricultura simples optam por manter o seu modo de vida limitando o contacto sociocultural e económico com o mundo envolvente. Não é a incapacidade dos grupos “primitivos” marginais par adoptarem um modo de vida moderno (ou pós-moderno) que os faz manter o seu modo de vida tradicional. Eles resistem à mudança porque acreditam que o seu modo de vida “primitivo” é melhor do que a “civilização”. –Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Vida Primitiva | Qualidade de Vida

A vida dos “primitivos” não é tosca, aborrecida e curta como alguns filósofos do renascimento pensavam. Ao que parece, a sua dieta é bastante equilibrada e estão menos sujeitos a fomes do que os povos agricultores. Como não têm de trabalhar muito sobra-lhes temo para a vida social e ritual. Por exemplo, os !kung (Marshall 1975; Shostak 1981), que vivem no deserto do Kalahari, Namíbia, apenas precisam de cerca de 20 horas de trabalho semanalmente menos do que o norte-americano ou europeu médios (Cashdan 1989).

E se o os !kung e outros grupos de caçadores-recolectores actuais conseguem viver bem, é fácil concluir que os seus antepassados “primitivos” vivendo em ecossistemas mais ricos, tinham uma qualidade de vida melhor.

Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Wikipedia.org:

The ǃKung, also spelled ǃXun, are a Bushman people living in the Kalahari Desert in Namibia, Botswana and in Angola. They speak the ǃKung language, noted for using click consonants, generally classified as part of the Khoisan language family. To pronounce “ǃKung” one must make a click sound before the ‘k’ sound, often represented in texts as an exclamation mark.

Evolução por Saltos

Uma boa parte dos paleoantropólagos inclina-se hoje para teoria da evolução por saltos e acontecimentos pontuais decisivos em vez da velha da teoria da evolução progressiva avançada por Darwin e por Wallace. Dessa forma, o primeiro momento decisivo na evolução humana deu-se há entre 7 e 5 milhões de anos, com a emergência das primeiras espécies capazes de postura e locomoção bípedes. Um segundo momento correu há 2-3 milhões de anos, altura em que surgiram as primeiras ferramentas de pedra. A forma como essas mudanças ocorreram e se foram ou não súbitas é discutível, mas o que não é discutível é a longa estabilidade que se segue a cada mudança. O terceiro e decisivo momento ocorreu há 1,8-1,7 milhões de anos e é o mais bem documentado de todos, dada a maior abundância de fosseis e ferramentas. – Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

Cultura

Como afirmou o atropólogo Ralph Linton:

Cultura refere-se ao modo de vida global em qualquer sociedade, e não simplesmente aos aspectos que cada sociedade considera superiores ou mais desejáveis. assim, cultura, quando aplicaa ao nosso proprio modo de vida, nao tem nada a ver com tocar piano ou ler Browning. Para o cientista social, tais actividades são apenas elementos pertencentes ao todo cultural. O qual inclui coisas tão mundanas como lavar pratos e guiar, as quais, em termos de estudo da cultura, valem o mesmo que as actividades “refinadas” da vida social. Daí que para os cientistas sociais não existam sociedades ou indivíduos incultos. Cada sociedade tem cultura, por mais simples que ela possa ser, e todo o ser humano é nesse sentido um ser culto. – através de Luís Batalha, Antropologia Uma Perspectiva Holística

 

Wikipedia.org:

The Study of Man established Linton as one of anthropology’s premier theorists, particularly amongst sociologists who worked outside of the Boasian mainstream. In this work he developed the concepts of Status and Role for describing the patterns of behavior in society.