Happiness

Ruut Veenhoven, the Dutch sociologist konw as the “godfather of happiness research”, maintains the World Database of happiness. And when he looked at all the countries of the world in terms of happiness, Moldova come up dead last.

wikipedia.

  • Main findings are:
    • Happiness is universal. All humans tend to assess how much they like the life they live and conditions for happiness are quite similar. Yet there is some cultural variation in beliefs about happiness. Happiness draws on gratification of universal needs, rather than on meeting culturally relative wants
    • Need gratification depends both on the livability of society and the life-ability of individuals
    • Greater happiness of a greater number is possible in contemporary societies and can be ‘engineered’, among other things in the following ways:
      • Fostering freedom, so that people can choose the way of life that fits them best.
      • Informing people about effects of major choices on the happiness of people like them. This requires large scale long-term follow-up studies comparable to research in nutrition.
      • Investing in mental health, professionalization of life-coaching.
    • Happiness signals that we are functioning well and for that reason happiness goes hand-in-hand with good health, both mental and physical. Happy people live longer.
    • Being happy combines well with doing good. Happier people do better in relationships, do more voluntary work and are more interested in other people and their problems.

 

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Ensaio de um Standup Comedian wanna be #1 Amigos

Todos temos amigos, não é verdade? Todos? Só se estamos a partir do principio que eles sabem que são vossos amigos. Ou são apenas vocês que  pensam que são amigos? É muito diferente…

Amigos. Mais vale ter poucos e bons. Há quem diga isto. Não sei bem quem, mas é um frase que me vai na cabeça incutida por quem me rodeia. A sociedade em geral vá. Mas ter poucos amigos significa ter amigos. E o que é um amigo? Podemos tentar enquadrar os nossos amigos numa definição feita à medida de cada uma. O dicionário tem uma definição muito fechada de amigos “Quem está ligado por uma afeição reciproca”. Tentei procurar uma definição mais alargada. Significados.com.br. Pareceu-me o melhor sitio para encontrar o que procurava. “Amigo é o nome que se dá a um indivíduo que mantém um relacionamento de afeto, consideração e respeito por outra pessoa. O amigo é aquele que possui uma grande afeição por uma ou mais pessoas, que é leal, que protege e faz o possível para ajudar sempre.”

Quantas pessoas temos assim na nossa vida? É verdade que há sempre aquele que está disponível para te ouvir chorar porque foste violado por um cigano a quem tentavas comprar droga no cais do sodré. Será aquele que te deixou ser violado para ter a droga de borla? Esse é amigo? Ou pensavas que era amigo até ao dia em que finalmente tiveste que o testar e apercebeste que afinal… não era amigo?

Ou aquele a quem pedes para te ir buscar ao caralho mais longe porque ficaste sem gasolina mas que não pode porque está a ver a bola? O campeonato esloveno na net… Todos temos esse amigo não é verdade? Aquele que se passa da cabeça com um Krsko vs Mura. Para a Taça. Na primeira eliminatória. Gosta mesmo? Ou investiu dinheiro? Não sabemos…

E pronto. Lá tens tu que vir de taxi porque esse amigo está a ver a “bola”? Será esse um amigo? Um amigo sem paciência? Ou és tu que é um chato do caraças por incomodar os amigos com coisas chatas? E neste caso é ele que pensava ser teu amigo mas que agora está a pensar “com um amigo assim…”.  Bem vistas as coisas, não eram bem amigos. Afinal, quantas vezes viste um Krsko vs Mura com ele?

Onde em quero chegar é que nunca vamos perceber quem é amigo até termos oportunidade de testar a sua amizade, várias vezes. Por outro lado, se somos sempre nós a testar a amizade, do outro lado o nosso amigo também se vai começar a afastar porque passamos de amigos a gajo chato que está sempre com stresses. Tem que haver um equilíbrio. Um dia um amigo vem-nos buscar quando ficamos sem gasolina, no outro dia somos nós a ir buscá-lo à prisão e pagar a caução de 5.000€ por roubar um banco… de jardim… Não faz sentido?… Então qual o equilíbrio que define a amizade? 

A verdade é que temos verdadeiros amigos enquanto a amizade não é colocada à prova. Felizmente, nenhum de nós .. se tudo correr bem.. terá muitos momentos em que coloca à prova as suas amizades. Ou todas as suas amizades. E quando não há problemas, somos todos amigos. E será que vivemos na ilusão de termos muitos amigos e que no final de contas temos apenas outras pessoas com quem passamos tempo?

Mas a segunda definição de amigos naquele site .br diz o seguinte: “Em alguns momentos, o amigo não precisa ter necessariamente os mesmos gostos e vontades, e em certos casos é esse exatamente o fato que os une. O amigo não precisa ser alguém completamente idêntico. É aquele que tem o poder de acrescentar ao outro, com suas ideias, momentos de vida, informações etc., ou apenas alguém para dividir momentos e sentimentos.”  Bem.. eu tenho 2 amigos. E são meus amigos precisamente porque são diferentes de mim. Estamos poucas vezes juntos. Mas quando estamos… fazemos o amor… Não. Fazemos sexo! Blhacc, não, nada. Quando estamos juntos nem sempre temos as mesmas vontades, os mesmo interesses. Um deles nem sequer bebe. O outro passa a vida a beber… Um deles já o testei várias vezes e já falhou várias vezes. Mas sinto que é por isso que é meu amigo. Porque com ele, porque o conheço, consigo não ficar chateado ou triste com isso… Nem daquela vez em que me deixou a vomitar no cais do sodré. Antes de ser violado pelo cigano. Ele é assim… Ficar chateado porquê?…

Amigos, pouco e bons. No meu caso é quase verdade. São poucos é certo. Se são bons… quase nunca estou com eles para saber. Mas já passámos tanta coisa juntos, tantas provas dadas, que tenho a esperança que continuemos amigos. Que no próximo momento de teste eles vão lá estar para mim. Bem.. na verdade eu é que sou o mau amigo. Porque são mais as vezes que prefiro ficar sozinho ou com pessoas que não me são tão próximas. 

o resto da tua vida __ a descoberta

Quem me conhece sabe que adoro comédia em geral. Gostava um dia de ter coragem para fazer standup mas não tenho o foco e a coragem necessária. Vou ver o que pode ser o futuro. Acompanhei desde o inicio a criação do Carlos Coutinho Vilhena e a sua séria no youtube “o resto da tua vida __ a descoberta” (link abaixo).

Portugal fervilha em em criações humorísticas. É fácil deixar-nos entediar pelo que não interessa mas é muito bom apreciar os projetos que acrescentam algo de novo. Novas pessoas, novas ideias, e muita criatividade. Rasgos de originalidade que já não se encontram na TV como os ímpares “odisseia” ou “último a sair”. Erro Crasso, Roda Bota Fora, e os inúmeros podcasts que aparecem fazem a minha vida mais preenchida. Este “o resto da tua vida __ a descoberta” é um projeto que fez sentido apenas na cabeça do Carlos Coutinho Vilhena e prova que se tens uma ideia, acreditas nela, tens talento e és focado na execução, então vais fazer a diferença. É fácil dizer não a uma ideia destas ao ler o guião inicial. Mas à medida que a ideia ganha forma, quando vês o impacto que causa e o empenho dos participantes, pensas… fuck! que génio. As redes sociais e plataformas como o youtube permitem ter a visibilidade para ideias que de outra forma ficariam na gaveta. Não é a melhor coisa do mundo. Mas é sem dúvida uma coisa que me dá prazer ver e isso tem sido cada vez mais difícil acompanhar no mainstream. Recomendo assim esta série. E se não gostarem passem à frente. Não temos os mesmos gostos. Tudo bem.

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A Guerra dos Tronos

À oitava temporada decidi que estava na altura de ver a Guerra dos Tronos. Se todos dizem que é boa, é porque deve ser mesmo. Decidi ver as 8 temporadas com cerca de 10 episódios de 1 hora cada uma delas. Avizinha-se pouco tempo livre para outras coisas. E já vi uma das temporadas. E vi a grande produção que é em vários episódios. Noutros também dá para ver que é possível fazer um episódio entusiasmante com grande parte da cena dentro de um cenário. O que mais me deu gozo ver até agora foi o desenvolvimento da intriga humana. Perceber como os homens tomam decisões num mundo ou numa época em que é preciso ser inteligente e esperto para estar no topo. E aperceber-me que no final de contas uma vida não vale mais do que uma vida. E aperceber-me que é tão melhor viver no nosso tempo quando comparamos com a idade medieval do nosso mundo. Para teres sucesso tens que ser forte ou ser inteligente. E isso aplica-se nos dias de hoje também. Quem é bom ou tem os melhores skills está bem na vida. Mas não basta ser, tens que te formar para ser o melhor e isso não está ao critério de qualquer um. Da mesma forma, para seres inteligente tens que ter vontade de aprender, pesquisar e ir atrás do que não sabes. Não podes simplesmente ser preguiçoso e desdenhar de quem tem sucesso porque se esforçou mais do que tu. Os seres humanos são estúpidos, tenho dito cada vez com mais regularidade. Matam-se uns aos outros pelo poder de dominar alguma coisa apoiados por seguidores que seguem qualquer coisa. Mesmo os mais inteligentes são burros por não conseguirem pensar no bem global da humanidade mas apenas da sua família, da sua terra, do seu país, da sua raça, da sua religião. Vejo a guerra dos tronos e apercebo-me que sou um tótó. Se quero chegar ao topo tenho que ser cabrão. Passar a perna ao meu chefe. Aproveitar-me de quem está comigo. Dos honestos não reza a história. Mas pelo menos vivo bem comigo. Na minha dose ponderada de cinismo e maquiavelismo na proporção exata para estar num lugar onde não me chateiam. Sou um tótó mas não sou o rei deles.

Companheira para as mesmas músicas

Comprei uma coluna para ouvir musica e deixou de funcionar passado um mês. Creio que foi a vida útil dela. Deu o seu melhor enquanto pôde. Comprei-a com desconto. Já era sinal que alguém se queria livrar dela. Alguém que sabia o que valia e que a vendeu ao desbarato. Foi feliz comigo enquanto durou. Quando a vi na loja, lá estava ela. Ao lado das irmãs. Sem falar. Sem tocar. Dentro de uma caixa. Trouxe-a para casa, despi-a e olhei-a nos olhos. Toquei-lhe e senti-a. Usei-a do modo que pensei que ela gostava. Na sala, na cozinha, no quarto e até perto da casa de banho enquanto tomava banho. Ela está feliz. Ou triste dependendo da musica que punha a tocar. Diz-me que gosta do meu sentido de humor. Pinto-a numa folha do caderno. É importante para mim. Mas o certo é que deixou de funcionar passado um mês. Será que perdeu o interesse por mim? Apagou-se e foi à sua vida. Tem o seu pensamento longe. Conheceu-me por mais tempo do que o realmente necessário para me achar interessante. Fartou-se. É normal. Quem me conhece começa por me achar reservado. Depois interessante. Depois desinteressante. Vou comprar outra coluna. E aproveitar ao máximo o próximo mês. É possível manter a felicidade e a chama em períodos de 30 dias? Vou fazer disto a minha vida? Acaba por ser desgastante. E o meu foco desvia-se de coisas realmente importantes. Já não penso no trabalho 12 horas por dia. Acaba o dia e penso em vir para casa ouvir musica. Depois penso numa nova coluna. Invisto tempo a conhecê-la a fundo. Depois parte. Recomeço. Será que algum dia vou conhecer uma coluna que esteja em sintonia comigo? Daquelas em que não é sequer preciso escolher a música no Spotify porque ela já sabe o que me apetece ouvir? Aquela em que quando estou ausente nos meus pensamentos baixa o volume e põe uma música ambiente tranquila? Vou continuar a tentar mais algum tempo. Depois desisto.

E se deixarem de funcionar os computadores?

De onde estou vejo a cidade, vejo o mar e vejo o nascer do sol, todos os dias. De onde estou consigo ver o horizonte e imaginar até onde posso ir se quiser. Não tenho uma casa grande ou sequer bonita. Mas tenho isto tudo e dou por mim a imaginar o que me dá mais prazer. Se andar preso por muitos metros quadrados ou se, estando preso em poucos, no fundo tenho toda a liberdade para poder esticar a mente para lá da praia. Poderia esticar a mente pelo computador dentro e também aí não ter limites. E saltar de realidade em realidade. Mas olhando lá para fora e vendo sempre a mesma realidade tenho o poder de imaginar tudo o que procuro dentro de todos os computadores.  E pensar durante algum tempo no que aconteceria se todos os computadores deixassem de funcionar. Passados uns dias iria ficar ansioso e triste. Ansioso por não encontrar solução para os meus problemas de forma tão fácil e imediata. Triste porque veria a minha liberdade limitada aquilo que os meus olhos conseguem ver. Teria que voltar a falar com pessoas. E todos sabemos que não é fácil falarmos com pessoas que gostem das mesmas coisas que nós como gosta o motor de pesquisa do google ou as redes sociais. Ninguém gosta daquela serie como nós, daquele artista que nós ouvimos todos os dias. Há muitas pessoas que gostam de algumas coisas que nós gostamos mas nenhuma gosta de todas as mesmas coisas. Se por um lado é bom, por outro lado ficas limitado aos gostos que vais absorvendo por quem te rodeias. Se os computadores deixassem de funcionar sentiria que reduziria a minha liberdade drasticamente. Abafar-se-ia a minha essência ao longo dos meses. E daria por mim a olhar lá para fora a pensar no que estaria por detrás de uma pesquisa no google sobre os meus pensamentos, vontades ou necessidades. Hoje olho lá para fora e imagino o que quero. Depois vou para trás de um computador colocar em prática os meus sonhos.

Andar pelo desconhecido

Gosto de pôr a mochila às costas e começar a andar por ruas desconhecidas. Posso partir de um ponto familiar mas assim que tiver a oportunidade viro no primeiro sitio que desconheço. E a sensação é brutal. Por vezes é frustrante porque a rua pode não ter saída ou porque não tem nada de interessante. Mas outras vezes dás contigo no meio de uma cidade que para ti é desconhecida porque nunca arriscaste. Ou porque não tiveste paciência de experimentar seguir por um caminho diferente. Ok, há um motivo para que estes não sejam os caminhos mais frequentados e o principal é que podem não ir dar a sitio de interesse. Mas a experiência de andar pelo desconhecido já será um destino em si mesmo. Na vida fazemos sempre o mesmo caminho, todos. Ou quase todos. Ou quem não faz o mesmo caminho que nós, faz outro mesmo caminho qualquer que é lá deles. Podes ter a tua identidade na mesma e gostares das tuas coisas. Mas a disponibilidade para ter um pouco de tempo para explorar coisas novas é para mim sinal de inteligência de quem está disponível para analisar a humanidade e não julgar apenas as pessoas. Ouvir novas músicas. Estórias de outras culturas. Rotinas de outras pessoas. Caminhos perdidos no meio de uma cidade que fazemos todos os dias. Eu gosto de pôr a mochila às costas e começar a andar por ruas desconhecidas.

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Foto: https://www.instagram.com/p/BvM4oYrnioF/  @fabio_plotnitskaia

 

 

Meeting New People

As pessoas são complexas. Cheias de coisas suas. Cheias de fantasmas, de rotinas, de esperanças e algumas cheias de si mesmas. Ontem quando fui fazer compras ao Lidl sozinho sobressaía um homem com aspeto sujo e de meia idade. Ao andar pelo Lidl meteu-se na brincadeira com o segurança, com a senhora à sua frente que estava na fila a dizer que estava grávido apontando para a barriga. Meteu-se com a velhota no final da final. Brincou com a menina da caixa. Fez as pessoas rir. Fez as pessoas falarem com ele. Se o vissem na rua talvez passassem para o outro lado da estrada. Ali ele conseguiu criar conversa com todos e criar um ambiente divertido numa fila chata de supermercado. É pena eu não ser assim. Tenho a sensação que perco várias vezes ao dia a oportunidade de conhecer pessoas novas. Mas as pessoas andam tão fechadas no seu espaço que é difícil entrar, nem que seja um bocadinho. O primeiro impacto que tive com esta realidade foi numa pós-graduação, numa cadeira de Marketing. Tínhamos que recolher dados para depois apresentar um estudo. E não havia alternativa. E eu estava entusiasmado para me colocar numa situação desconfortável e lá fui eu para a rua com as perguntas que desenhei do tipo “o que acha dos carros elétricos?…”. 90% das pessoas jovens diziam-me “não estou interessada, obrigado”. E eu… wtf? Foi aí que comecei a perceber que não era o homem da fila do supermercado. Não é fácil interromper os pensamentos das pessoas e as suas rotinas e entrar lá de repente. Se fores como o homem da fila é algo natural e rápido. Se for como eu tem que ser com várias iterações ao longo de uma relação pessoal em algum contexto. E nos dias que correm. Com tanta falta de paciência e com as pessoas focadas nas suas rotinas, é difícil encontrar alguém com esta disponibilidade.
Para quem tem Netflix partilho este espetáculo de stand-up do Daniel Sloss “Puzzle”. Para além de ser dos melhores espetáculos que vi nos últimos tempos em termos de entrega, texto e temática, fez-me pensar muito. Nas pessoas. Em mim próprio. Se tiverem oportunidade de ver comentem aqui.

Daniel Sloss “Puzzle” Netflix

Review: “The Joke That Has Ended More Than 4500 Relationships”

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Que raio de hobby mais estranho

Já há algum tempo passei por este conceito: Adult Coloring (ver aqui este artigo que identifica os benefícios para os adultos). Achei engraçada a ideia e via-me a fazer isto. Mas como quase tudo com que me cruzo acabei por esquecer e lá se foi mais um to do da lista da minha vida. Foi apenas há alguns dias que me voltei a cruzar com o conceito, não por influências externas, mas por ter sido “obrigado” a pintar com a minha filha. E nos 5 minutos que estive entretido a copiar o Calvin do nosso livro preferido, abstraí-me de tudo o resto. Foquei-me no traço preto e segui as linhas do desenho original. E no final, apesar de estar imperfeito, senti um enorme orgulho. Entrámos em competição e ela desenhou outro e outro com o seu traço de criança de 6 anos. No dia a seguir na escola deram-me os parabéns pelos desenhos diferentes das outras crianças. Quando vi, vi um Calvin engonçado. Claramente diferente de todos os desenhos dos outros meninos. Agora tornou-se o nosso hobby aos fins-de-semana de manhã. Levantar, tomar o pequeno-almoço e desenhar o Calvin. Quando não estamos juntos sinto a vontade de desenhar um Calvin, sozinho, enquanto oiço uma música. E parece-me que encontrei um novo hobby. Não é o Adult Coloring mas será um tipo de Adult Drawing. E lá fui eu ao hipermercado. Comprei um conjunto de canetas de desenho de várias cores, e blocos de papel de desenho A5… Agora, sempre que quero ter alguma ideia, pego no bloco de papel e nas canetas e começo a desenhar. Nunca soube desenhar. E na verdade ainda não sei. Mas sei que me faz sentir bem. Que raio de hobby mais estranho.

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Andamos na vida a passar o tempo

Andamos na vida a passar o tempo. À espera que apareça “aquilo”. Mas a verdade é que a vida passa e aquilo não chega. Ou ao chegar, ao aproximar-se da nossa realidade, dilui-se em mil pedaços, embrenha-se no lufa-lufa do dia-a-dia e o impacto que causa é diminuto. Como quando sonhamos intensamente com uma coisa e depois acordamos e não temos nada. Ou quando estamos excitados por um evento e depois no próprio dia nem nos apetece assim tanto ir, ou se formos é mais o desconforto do que a excitação. Estar de pé, esperar, apanhar com sol ou chuva, frio ou calor e no final esperar que não volte atrás o artista para mais uma música porque queremos é sentar-nos um bocadinho.

Isto é a vida. Vivemos intensamente todas as metas. Acabar o secundário com média. Entrar na faculdade que queremos (sem saber muito bem porquê às vezes). Acabar o curso. Encontrar emprego. Encontrar família. Ter filhos. Vê-los crescer e viver intensamente até que saem de casa. E depois? Voltar ao inicio e esperar pela morte.

Cada um tem as suas próprias metas. E as suas próprias frustrações por não conseguir atingir algumas. Mas rapidamente encontramos outras. E assim passamos a vida… andamos na vida a passar o tempo.

Cultura Empresarial

“Culture is the collective mindset and attitude of your employees. The mindset your employees bring work everyday determines how they will take care of your customers, how much effort they will put into their work, and whether or not they will stay with you long term.” – Culture Hacker: Reprogramming Your Employee Experience to Improve Customer Service, Retention, and Performance (Green, Shane)

Happiness

“A study by economists at the University of Warwick in England found that happiness led to a 12% spike in productivity while unhappy workers proved 10% less productive” – Culture Hacker: Reprogramming Your Employee Experience to Improve Customer Service, Retention, and Performance (Green, Shane)

Claims 2

“The analysis shows that over 75% of financial losses arise from 10 causes of loss, with the largest single identified cause being fire/explosion, which account for almost a quarter (24%) of the value of all claims” – AGCS Global Claims Review 2018

Eu e o futebol

Tenho vindo a perder o encanto pelo futebol. E quando dizem que o futebol tem mais a perder no global do que alguma coisa que algum clube ganhe com tanto ruído, eu identifico-me plenamente. Sou do Benfica. E a paixão que sempre tive por aquele clube está a morrer aos poucos com a série de eventos que aparecem todos os dias nas noticias.   Sei que corrupção e esquemas são transversais a todos os clubes e acredito que o Benfica não é mais ou menos corrupto do que os restantes. Mas é cansativo ver tanta informação e contra informação todos os dias nos jornais. É cansativo ouvir sempre a mesma coisa dita pelos painéis de comentadores nos vários canais de desporto. É triste perceber que se vendem mais jornais com escândalos do que pelo futebol em si. E acho que é cultural. Deixamos de acreditar nos resultados e no que dizem os vários presidentes. Ficamos sempre sem perceber se aquele fora de jogo fez parte do jogo ou se foi o video-árbitro que foi mal usado ou analisado. Hoje em dia mais facilmente vejo um jogo do Wolves com o Everton do que o Benfica com o Boavista. O espectáculo do futebol inglês, ouvir o público a torcer pela sua equipa, mesmo à chuva e enquanto perder, serem analisados lances e jogadas magnificas ao pormenor faz nascer em mim o interesse por algo que não encontro em Portugal. Que se limpe de vez o futebol, que sejam presos todos os que têm que ser presos e que recomecemos do zero. Já se fez isso com a banca e custou muito a todos. Muito tempo, muito dinheiro, muitas pessoas lesadas. E hoje em dia assistiria mais facilmente a um jogo entre as equipas amadoras de futsal do Novo Banco com o BPI do que com o Benfica com o Boavista. Posto isto, espero que o Benfica seja campeão. Porque o prazer de curto prazo dos festejos no Marquês continua a ser superior ao trabalho que dá perceber todos os fenómenos de corrupção e esquemas. Mas estou tão perto do breakeven que mais tarde ou mais cedo nem os derbies vou conseguir ver…

Observações de um caderno de notas

Quando mudas de trabalho tudo parece ser perfeito. Deixas cair atrás de ti um histórico pesado de responsabilidades que foste assumindo ao longo do tempo e que, apesar de já estares noutras funções há muito tempo, continuas a ter que gerir. Começas do zero. Como quando acabas um caderno de notas todo preenchido e compras um novo imaculado. Começas com todo o cuidado. Toda a atenção ao detalhe como quem acha que vai ser sempre assim e que vai conseguir manter este controlo sobre as suas notas. No fundo sabe que no final do caderno vai voltar ao mesmo. Vais estar novamente cheio de gatafunhos e em algumas páginas tem inclusivamente marcas do copo de café. Mas abrir um caderno novo, respirar aquele cheiro a papel e manter a simetria nas notas faz-nos sentir que estamos no auge da vida (da vida de tirar notas salvo seja). Por vezes sentimos falta desta adrenalina. De ter algo de novo na vida. Alguns deitam o caderno fora. Alguns esperam que acabe para comprar outro. Outros simplesmente escrevem em todos os espaços em branco que cada página tem para não deixarem acabar o que construíram com tanto empenho e dedicação.

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Até onde a Venezuela?

O mundo divide-se entre Maduro e Guaidó. E parece-me que nenhuma posição está verdadeiramente preocupada com a Venezuela. É evidente que em política a emoção das populações em todo o mundo tende a ficar ofuscada com o racionalismo económico dos seus governos. Há duas abordagens e ambas coerentes se forem assumidas pelos vários países. A primeira prende-se com a relação económica. Ao longo do últimos anos, os países sempre estiveram confortáveis com o regime ditatorial de Chaves e Maduro desde que isso lhes permitisse continuar a receber importações da Venezuela, um país que precisa de tudo e que tem (tinha) muito petróleo para esbanjar. A partir do momento em que deixa de haver dinheiro, é necessário que se ajude aquele país a voltar a ser novamente relevante para que possa continuar a necessitar de importar tudo de todos. E neste momento, parece-nos que Guaidó é o futuro. Maduro está tão perto do fim que os países já se posicionaram para serem privilegiados na relação com o futuro governo. Faz todo o sentido. Não poderia é haver hipocrisia nos motivos destes apoios. Até porque há problemas semelhantes ou piores noutras partes do mundo onde ninguém pensa sequer intervir. A Somália continua a ser uma excelente opção. Depois há os países que apoiam Maduro, ou pelo menos apoiam a continuação de Maduro até que ele decida ouvir o povo e fazer eleições. Estes países não querem que entidades externas se pronunciem sobre a realidade interna da Venezuela. Eles que resolvam os seus problemas. Um pouco como os casais que discutem e os vizinhos não fazem nada. E não fazem nada porque sabem que na sua casa também há discussões e não querem ter o vizinho a bater-lhes à portal. É evidente que a Russia e outros países não querem criar precedentes e ter que lidar com a Crimeia e toda uma zona presa por cordéis. Ainda assim, destas todas, a posição de quem defende a não intervenção parece-me a mais honesta. Será que a Espanha, apoiante de Guaidó veria com bons olhos o apoio da União Europeia à independência da Catalunha?

E a população? Já agora…

As pessoas já estão fartas?

Só agora consigo escrever este texto mas o sentimento tive-o quando vi, ao vivo, dezenas de pessoas a andarem no meio do trânsito da avenida da liberdade. Soube depois que eram os moradores do bairro da Jamaica. O país está em polvorosa com manifestações de bombeiros, greves de enfermeiros, falta de pessoal nos serviços. Se no tempo da crise a coisa foi passando sem tanto alarido por manifesta falta de dinheiro (ainda que com grande sentimento de injustiça face ao destino que foi dado ao que havia), neste momento sente-se que há dinheiro para distribuir mas não há para todos. Portanto, o lobby mais forte, eventualmente, poderá ver repostos os seus privilégios. E é preciso muito cuidado nesta fase. A expectativa passa pelo corte de impostos e melhoria das condições de vida após anos de contenção. Em França um aumento nos impostos, comunicado de forma atabalhoada com o pretexto do ambiente, gerou o caos. E o caos começou a ganhar vida própria. Em Portugal basta um pretexto. Temos o Marcelo a viajar com os camionistas para evitar a paralisação do país. Temos a gestão com paninhos quentes da questão dos enfermeiros, bombeiros e professores. A extrema direita tentou pegar no descontentamento e pegar fogo nas ruas numa iniciativa de coletes amarelos que não teve aderência porque não foi orgânica e Portugal demonstrou não ser rever em massa nas ideologias racistas, xenófobas e isolacionsitas. Mas tenho quase a certeza e o evento da Avenida da Liberdade terá repercussões. Irão juntar-se mais bairros a este protesto naturalmente. E a população irá juntar-se para reivindicar outros direitos. E a coisa pode explodir. No Seixal, hipocritamente, já desbloquearam o processo de atribuição de casas. Espero a qualquer momento ver o Presidente da Republica num bairro dos subúrbios de Lisboa ou as várias reportagens da televisão a mostrar que nesses bairros há pessoas boas. Mas este não é o tempo disso. As pessoas em tempos gostavam de ser vistos como boas dentro da miséria. Agora estão fartas.