Ensaio sobre Grelhados

Que grelhar é uma arte já todos nós sabemos. É uma arte popular uma vez que apenas o povo está disponível para passar uma hora de verão em frente a chamas a queimar os dedos e sentar-se à mesa a cheirar a fumo. Correndo o risco de ser criticado por tudo e por nada. Ou que está cru. Ou que está muito estorricado. Ou que fez muito rápido e o acompanhamento não está pronto, ou demasiado lentamente que o acompanhamento está frio. Alguns julgam que assar carne ou peixe passa apenas por puxar fogo à madeira ou carvão e ficar à espera o resto do tempo que asse sozinho enquanto se bebem 3 minis no processo com uma cadeira sempre que disponível para descansar as pernas. Ou duas cadeiras se estiver em boa companhia. E 6 minis.

O mestre do grelhador numa família não é qualquer um. Normalmente é o mais velho que aprendeu na tropa. A geração seguinte tem que aguardar a sua vez. Os mais novos aprendem em casa dos mais velhos e vão treinando com os amigos jovens. Quando constituem família são eles o macho alfa do grelhador na sua casa mas sempre que vão a casa da geração mais velha têm que ceder o lugar da grelha. É um lugar de prestigio. De reconhecimento da família e amigos. Não obstante o risco inerente de não sair bem naquele dia em especifico quando já grelhou milhões de vezes e ficou sempre perfeito. A um bom mestre do grelhador não basta ter técnica, tem que controlar bem tudo o que rodeia o churrasco. Por exemplo, se o peixe se desmancha na grelha tem que saber dizer que a culpa é da cozinha porque tinha pouco sal. Se a carne está crua, podemos sempre dizer que a lenha desta vez é diferente ou que havia pouco carvão. A culpa nunca pode ser do grelhador porque caso isso acontece perde a credibilidade e vê-se obrigado a ceder aos poucos o lugar aos mais novos e o seu papel na família fica aniquilado. É nestas alturas que se apercebem que estão a ficar velhos “já nem sirvo para assar um frango…”. Então, é preciso dominar a técnica mas também garantir que a culpa por algum desvio na qualidade nunca se deve ao mestre do grelhador.

Quando está com a sua família em casa, o mestre está na sua zona de conforto. Alguma tensão pode aparecer quando o churrasco é para família alargada e amigos em algum convívio. Nesta circunstancias há uma probabilidade mais elevada de se concentrarem vários mestres do grelhador por metro quadrado. E nesses caso mandam as regras tácitas que pegue na grelha o dono da casa, mesmo que não seja o melhor tecnicamente. E se não tiver uma personalidade forte, rapidamente pode ser devorado pelos mestres que o rodeiam, perder o norte e ser humilhado na sua própria casa. Em cada fase do churrasco há várias técnicas possíveis. Quem está a liderar o churrasco nesse dia tem que ser forte e seguir o seu instinto. Não mostrar fraqueza a aceitar sugestões de quem o rodeia. Se for bom chega ao fim e é um sucesso. Se der problema e algum convidado disser “para mim está um pouco cru” logo outro mestre vai aproveitar a deixa para não se ver associado a tal fracasso “eu avisei que a grelha era mais baixa, assim estava-se mesmo a ver….”.

O resto do texto pode ser controverso, mas espero que seja lido apenas como um fio condutor para explicar às gerações futuras alguns passos no processo de grelhar.

A primeira grande decisão, apesar de muitas vezes não haver escolha mas poder funcionar bem como desculpa: Barbecue vs Assador (daqueles de ferro). Se não ficar bem é possível sempre dizer a nossa experiência é muita mas é no outro tipo de grelhador que não aquele que estamos a usar. O Barbecue tem vindo a ser aceite de forma transversal, sobretudo à medida que as novas gerações pegam nas grelhas, mas historicamente um bom grelhador é feito de bidon com uns ferros soldados a servir de grelha. Tudo o que não seja isso, há margem para todas as outras desculpas (não cabe a carne, não cabe a lenha,….). Aos poucos a geração seguinte está a ligar-se mais a grelhadores elétricos ou a gás de exterior. Embora seja tentador, é um risco para a propagação da cultura popular do grelhado.

De seguida outra grande decisão. Carvão ou lenha. Muitas vezes também não há escolha, mas dá uns bons 10 minutos de conversa sobre o tema. “ahhh… a lenha faz menos mal…” .. ” pega mais rápido a lenha”….Dentro do carvão também há muitos tipos. E se for o mestre a escolher o carvão nesse dia rapidamente pede a credibilidade se o carvão for pequenino e não peças sólidas de sobro.

Passo seguinte, colocar a grelha. Atenção, colocar a grelha enquanto a chama está forte para aquecer. Não colocar a grelha quente implica ter carne ou peixe colados. Há uma serie de técnicas de inferior importância sobre a temática do agarramento à grelha desde passar azeite ou outras coisas para não agarrar, mas o mestre grelhador do tempo do bidon da tropa sabe que desde que esteja bem quente não é preciso mais nada. Uma boa grelha ainda estará suja do grelhado anterior. Queima-se bem e limpa-se. Limpa-se com um pano velho que encontramos ali no chão perto. Há uns limpadores nos hipermercados, mas…. vocês começam a perceber.

Para atear o fogo é preciso algo que faça chama rápido e se aguente um tempo para pegar à madeira ou ao carvão. Se estão a pensar em papel ou jornal sabem bem que não dominam a técnica fazer grelhados. O melhor que existe são pinhas secas. Pinha de pinheiro selvagem, nunca manso. Porque são mais abertas. Porque até estalam quando lhes chega o fogo. Podemos usar acendalhas? Podemos. Mas se usarmos temos sempre que dizer algo do género “com pinhas é que é bom…”.

A partir daqui é mais standard a técnica mas ainda há margem para muitas variações. Para atear o fogo há várias formas aceites. Se tivermos um soprador feito por nós ganhamos imensos pontos. Se tivermos um cartão velho para abanar e fazer vento é muito bem visto. Podemos usar uma pá caso não haja nada mas revela alguma inexperiência. Um abanico bom é muito útil mas perde um pouco do glamour popular.

Dos passos mais difíceis que se seguem é virar o peixe na grelha e é aqui que se diferenciam os homens dos meninos. Aos mais novos pede-se que vejam e aprendam o maior numero de vezes possível antes de se aventurarem junto de amigos. É preciso dar tempo ao tempo, com o garfo ir levantando aos poucos o peixe até se descolar todo da grelha e no momento certo pegar na peça e virar ao outro lado devendo evitar-se virar mais do que uma vez.

São muitos os pequenos momentos decisivos para um sucesso de um churrasco, sobretudo de peixe que é mais difícil. E quando rodeado de outros mestres, é preciso puxar dos galões, assumir o risco e executar. Se tem duvidas, mais vale assumir de inicio e passar a tenaz a outro e esperar pacientemente que chegue a sua vez. Aprender e praticar com a sua família mais reduzida.

Quando entra a travessa na mesa, é fácil perceber se o churrasco teve sucesso ou não. Se o mestre chega à mesa já derrotado (“eh pa… o peixe não é de hoje não deve estar bom”, “estava muito vento e só fazia chama….”) é porque foi mesmo derrotado. Se não diz nada e o primeiro comentário é “excelente aspeto” por parte de quem está na mesa, então é um sucesso. Se cortar a carne ou peixe e por dentro estiver no ponto, então é a coroação de um mestre grelhador. Cansado, pós-suado passado por água, o mestre senta-se, abre um vinho e finalmente relaxa e disfruta a sua refeição com a família e amigos. Se não correr bem o grelhado, então resta dar espaço ao mestre. Deixa-lo passar na sua mente todas as fase do grelhado para ver onde falhou, aprimorar todas as suas desculpas, deixa-lo desabafar.

Trabalhar deve ser como jogar um videojogo muito fixe

Quem gosta de jogar videojogos sabe a adrenalina e o vicio que é ter uma missão para cumprir e não descansar enquanto não encontrarmos forma de a terminar. E a adrenalina de seguida entrar num novo nível e começar a aumentar o grau de dificuldade e testarmos as nossas capacidades para vencer. E quando o jogo se torna demasiado monótono passamos a jogar apenas de vez em quando, ou quando temos amigos que nunca jogaram e aproveitarmos para jogar com eles para os ensinar e ver neles algum do entusiasmo que nós tivemos. Não jogo há muito tempo desde a minha adolescência, mas havia qualquer coisa nos jogos que me colavam ao ecrã, que me faziam levantar mais cedo ao fim de semana, de me deitar mais tarde durante a semana.

Por vezes olho para a minha filha e penso no fixe que era ela ter uma profissão que lhe dê tanto interesse como jogar Roblox todo o dia sem parar. Deveria ser possível todos conseguirem um trabalho que dê animo e vontade de levantar cedo da cama e deitar tarde. Sentir que estamos a evoluir, a passar níveis, a aprender constantemente.

Mas porque razão nos acomodamos a estar sempre no mesmo nível? Ainda que tenhamos uma vida pessoal completamente preenchida, ainda são pelo menos 8 horas dos nossos dias que estamos apenas a passar o tempo. Por vezes é tão difícil fazer aquilo que gostamos. Seja porque não nos dá o rendimento necessário para mantermos a nossa família ou porque não temos algumas das habilitações básicas.

Mas olhemos para o nosso trabalho como um videojogo e quando estamos no mesmo nível há demasiado tempo façamos alguma coisa. Ou desenvolvemos os nossos skills que nos permitam evoluir no jogo ou se estamos no último nível pensemos em mudar de jogo. Começar de novo ou num jogo parecido ao que estávamos a jogar e onde já somos bons e sentir novamente aquela adrenalina pela novidade. Conhecer as pessoas, processos, cultura. Dar-nos a conhecer. E ir demonstrando valor e surpreendendo aos poucos. E querer acordar e dar mais um pouco cada dia. E terminar o dia com a sensação que foi bom e que quero voltar amanha, apesar de nem todos os dias poderem ser bons.

Quando estamos empenhados entregamo-nos de corpo e alma, produzimos mais, sentimo-nos mais felizes.

Roadtrip #2 Régua/Vila Real/ Valença/Vigo /Santiago de Compostela

Acordamos às 6.30 sem sono numa pensão da Régua. Uma pensão à Beira da Estrada onde se ouvia tudo de noite… Tudo… Mas deu para descansar e tomar um banho revigorante. Seguimos rumo a Vila Real com o sol baixinho a abrir pelas curvas da N2. Viagem adorável rodeados de serra cheias de vinhas lindas. As primeiras pessoas do dia a pegarem ao trabalho e poucos carros na estrada. Chegamos a Vila Real passava pouco das 7 da manhã e fomos tomar o pequeno almoço bem no centro e planear a próxima etapa.

Seguimos em direção a Ponte de Lima. Cidade pequena do nosso medalhado olímpico em canoagem e sobre a qual tinha muitas expectativas. A única cidade do CDS do nosso país e única onde não vi um cartaz político do PCP, PS ou BE. Peculiar. Cidade pequena com muita vida banhada pelo rio Lima. Talvez demasiado pequena para passar mais do que 1h. Foi o que fizemos. Tomamos uma água e seguimos. Não sem antes visitar uma igreja e procurar uma loja de ferragens para comprar 2 parafusos para reforçar o suporte das malas da mota e não nos preocuparmos tanto se aquilo cai tudo na viagem a 160 km/h.

Pusemos gasolina mais uma vez em Portugal na expetativa de subirmos ate Valença e encontrar por lá preços mais baixos. Almoçámos em Valença a 1km de Espanha. Rodeada de montanhas, uma cidade muito gira. Pensei no stress que era quando andávamos à porrada com os Espanhóis e de os ver tão perto. Depois de almoço tempo para pegar nas ferramentas e apertar então o suporte da mota.

E sem bem saber o nosso destino ou caminho fomos até Vigo, mais propriamente as praias que pareciam giras naquela baía. E acabou por ser a melhor tarde desta viagem. Numa praia linda, área fina e branca, água translúcida mas gelada. 3 horas de papo para o ar. Com direito a vestir fatos de banho dentro de uma toalha e andarmos com capacetes e casacos pela praia adentro. Mas não éramos os únicos tugas.

Depois do relaxe, mãos à obra e mais 1h e 20m em direção a Santiago de Compostela. Íamos primeiro ao hotel que fica numa aldeia a 20m mas ao passarmos tão perto decidimos ir diretos. A vantagem de ter mota é que há sempre lugar à porta de tudo e não temos que procurar muito. Fomos à praça da Catedral de Santiago e estivemos um pouco a descansar e a observar o espaço cheio de visitantes. Acabámos por jantar numa das ruas do centro com música ao vivo, umas cervejas e comidinha Espanhola bem boa.

Escrevo à pressa hoje porque dormi como uma pedra e aqui é mais uma hora. Tempo de saltar da cama com vista sobre o campo e rumar por aí.

Roadtrip #1 dia: Lisboa/Viseu/Régua/Pinhão/Régua

No fim de semana foi tempo de fazer um final check à mota. A revisão já tinha sido feita há 2 semanas e está tudo ótimo nesta velhota de 11 anos mas com apenas 50.000km que já passeou até às Escócia. A idade traz algum desgaste e a solução para muita coisa foi à base de fitacola e abraçadeiras. Montar o corta vento da frente foi uma aventura já que as borrachas estavam podres. A topcase está sem 2 parafusos que não os encontro. O saco de viagem vai em cima da topcase… Arriscado mas se a 160 km/h não caiu acho que aguenta.

Uma topcase e um saco de viagem para duas pessoas para uma semana é pouco mas tem que dar. Calças de ganga e muitas t-shirts e roupa interior é suficiente..com sorte encontraremos alguma lavandaria. Com azar ficamos a cheirar a viajante…

Partimos as 7.30 em direção a Viseu por Autoestrada porque a primeira etapa das viagens até sair de Lisboa são as mais chatas. Paramos em Aveiras para Tomar o pequeno almoço e por ar nos pneus e seguimos.

Pelo caminho sentimos nas pernas o nascer do dia e a subida de temperatura dos 17° aos 29°. Lá chegamos a Viseu só mesmo para dizer que por lá passámos e bebemos um cafézinho. Encontràmos a primeira personagem da viagem, um ex-policia reformado que fez questão de nos abordar e dizer que ali não era sítio para estacionar a mota (com razão) e no tempo dele dava direito a multa de 5.000€… meu Deus. Dei-lhe conversa e no final ficou super feliz de falar com motards que visitavam a sua cidade.

Seguimos em direção às Régua com o sol a aquecer e eu com a viseira do meu capacete estragada sem a poder levantar. A chegada à régua é imponente através de um viaduto gigante com vista para o cais fluvial de onde partem os cruzeiros pelo Douro.

Como decidimos fazer tudo ao longo da viagem e nada planeado, quando tentamos fazer o cruzeiro já não havia disponibilidade… Fuck… Não faz mal. Descansamos junto ao rio e almoçamos rapidamente na tasca da estação ferroviária enquanto planeavamos o dia. Conseguimos uma residencial por 60€.. não foi mau e decidimos ir de comboio junto ao rio até ao pinhão mais tarde.

Deixamos as coisas no quarto e conhecemos a 2a personagem da viagem. O Sr Carlos que quando era jovem viu uma luta entre dois indivíduos e a partir daí nem consegue olhar bem para algumas raças de pessoas. Grande trauma. Mas simpático para nós Jovens caucasianos…

O quarto foi uma agradável surpresa. Limpo, com WC, ar condicionado e simpático. Deixamos as malas e casacos pesados e chatos e seguimos leves até às estação com destino ao pinhão.

Fomos num comboio regional numa viagem de 30m junto ao Douro. Viagem simpática e deu para descansar o corpo um pouco.

O pinhão é paradisíaco. Bebemos umas águas e conseguimos um cruzeiro por 10€ durante uma hora. Foi muito bonito observar a imponência do que nós rodeava… As vinhas nas colinas pareciam jardins bem trabalhados… Impressionante.

Acabámos o cruzeiro mesmo a tempo do último comboio destino à régua. Muitos turistas naquela estação o que é um bom sinal de um regresso ansiado à normalidade.

Chegados à Régua jantamos junto à ponte pedonal, com um vinho Douro Branco divinal, compramos rebuçados da Régua (ainda não abrimos) e após um pequeno passeio para ver a vista sobre a Cidade caímos na cama de rastos. Amanhã veremos por onde vamos.

Nota: escrito em draft no telemóvel para futura revisão dos textos finais. Ou então fica assim.

O meu Eu

Crescemos toda a vida balizados por conceitos estabelecidos por gerações anteriores. Conceitos que damos por certos quando na verdade há muito mais pessoas como nós que não se revêm nesses conceitos. Em Portugal ainda temos que parecer ser para ser mesmo a não ser que sejas mesmo muito bom para que não interesse o que és.

Tens que ter uma boa formação, ter uma vida estruturada, estudar em boas escolas e ter bons amigos para que olhem para ti e pensem que podes crescer bem profissionalmente. É óbvio que estes pensamentos não são expressados em palavras nas rotinas diárias das pessoas. Pode haver estatísticas para tudo, mas a grande maioria dos C-Level das grandes empresas vêm de famílias de “bem”. A não ser que sejas mesmo muito bom onde há margem para que atinjas os patamares mais elevados das várias carreiras profissionais, a verdade é que nos postos intermédios há maior margem de erro para se admitir a entrada de pessoas menos qualificadas com uma aparência social positiva do que de uma origem suburbana, sobretudo se não se conhecer o passado. Claro que nas funções mais básicas, tal é irrelevante.

Felizmente atingi um ponto da minha vida em que tenho liberdade total para tomar as melhores decisões para a minha vida independentemente do que os outros possam pensar de mim. Criei um capital de credibilidade e confiança que ultrapassa todas as barreiras que pudessem existir como existem quando não se conhece um passado.

E estou em condições de assumir que não tenho paciência para a festa do croquete, apesar de reconhecer que possa ter que fazer um esforço em vários momentos.

Estou em condições de assumir que não tenho que renegar às minhas tradições para fazer o meu trajeto. Gosto de beber vinho tinto fresco do garrafão e não ter que fingir que sei se o vinho é mau ou bom e que tenho que o beber à temperatura ambiente. Não ter receito de colocar uma cerveja de litro da mesa porque é mais barata do que as outras e serve os mesmos copos numa mesa de 4. Beber um copo de aguardente com o tio avô que o faz há anos e anos e perceber como realmente é um calmante natural e libertador. Assumir a minha suburbanidade.

É claro que vou continuar a balizar-me por regras que existam porque sou inteligente o suficiente para não ser um outsider. Mas sinto-me cada vez melhor a dizer o que penso e trazer uma visão diferente das coisas. E, sinceramente, sinto que todos temos a ganhar com isto. Nem sempre vou estar certo, mas, no mínimo, ajudarei a pensar em cenários alternativas na discussão.

E, sempre, ter a consciência que isto não é nada de relevante face aos problemas das sociedades atualmente.

Robinhood em pele de cordeiro

Robinhood é uma aplicação de trading totalmente gratuita e que permite aos utilizadores investirem qualquer quantidade de dinheiro em acções, derivados e cryptomoedas a qualquer momento no seu telemóvel pessoal.

Veio revolucionar os mercados financeiros porque já não se pagam taxas proibitivas que afastavam os pequenos investidores (retail) deste mundo e os enormes lucros potenciais ficavam ao alcance de uma pequena minoria de investidores já com muito capital. A Robinhood trouxe milhões de novos utilizadores em todo o mundo e biliões de novo capital investido e ajudou, acredito, a que fossem batidos máximos histórico nas várias bolsas dos EUA apesar da pandemia.

Demasiado bom para ser verdade? Parece que sim.

Não há almoços grátis, já todos sabemos. E não há transações na bolsa grátis também, caso contrário como é que a Robinhood ganhava dinheiro?

Basicamente, deixa de receber dinheiro dos utilizadores e recebe um fee dos “Market Makers (MM)”, quem na prática compre e vende as ações. Ou seja, a Robinhood recebe a ordem de compra/venda de uma ação e passa ao MM. O MM encontra no mercado a ordem inversa de venda/compra, fecha a operação e devolve à aplicação Robinhood e o utilizador vê a sua compra ou venda concretizados. Até aqui tudo bem, o problema é que o maior MM dos EUA (Citadel) é também um hedgefund e quando recebe a ordem inicial e se apercebe de margem de lucro faz uma operação intermédia para retirar a sua fatia devolvendo o remanescente ao mercado geral e o retail fica com as sobras e com uma probabilidade muito mais pequena de fazer dinheiro.

A Robinhood esteve também envolvida em polémica no inicio do ano, quando uma ação subiu para valores absurdos (GameStop) e a Robinhood suspendeu novas compras de ações, evocando falta de capital, o que acabou com o momento e estagnou o crescimento, passando a ser odiada pela maioria dos investidores individuais (retail).

A Robinhood tinha um excelente propósito, mas para crescer teve que vender a alma ao diabo, neste caso aos MM. Perdeu toda a sua credibilidade perante os investidores pequenos e em muito maior numero, que os fizeram crescer exponencialmente. Deu entrada na Bolsa pela primeira vez com $38 e lá foi baixando até aos $33. Está a recuperar por via de investimento de milhões de dólares de vários fundos de investimento. Vamos ver se continua a subir. Num mercado totalmente livre, a sua falta de credibilidade faria com que fosse à falência.

Robinhood is a free-trading app that lets investors trade stocks, options, exchange-traded funds and cryptocurrency without paying commissions or fees. In its early stages, Robinhood stood out as one of the only brokers offering free trades.

Montar uma equipa do zero

É um grande desafio, mas é uma tela em branco pronta a ser pintada. E o resultado final é um desenho que pode ser melhor ou pior em função das capacidades de quem a pintou. Montar a equipa é a parte mais fácil. A parte mais interessante é ligar as peças e encontrar os pontos fortes de cada um para as várias tarefas para que façam parte de uma equipa altamente motivada. E isso é o que faz a diferença a longo prazo. Ter a capacidade de monitorizar o nível de motivação pessoal de cada elemento e encontrar ferramentas para ir corrigindo pequenos detalhes ao longo do percurso. Às vezes basta uma conversa para que seja libertada alguma ansiedade e incerteza, outras vezes ajustar as tarefas. Mas em muitas ocasiões, uma visão clara a inspiradora faz mais de metade do trabalho na motivação. Sem visão, baixando a cabeça para a microgestão, perde-se um rumo. Perde-se uma equipa.

O que mudou?

Após uma quebra brutal em Março de 2020, em 2021 os mercados atingiram máximos históricos nos EUA apesar de toda a incerteza da pandemia. Mas porquê? Não devíamos estar em crise ou pelo menos não estar a crescer tanto?

A verdade é que assustados com o potencial impacto desta pandemia as medidas de apoio foram de tal forma brutais que injetaram mais dinheiro na economia do que o necessário. Por outro lado, o surgimento de vacinas aumenta a confiança. Mas não faz sentido, a confiança que a normalidade está próxima não deveria por si levar as bolsas para máximos históricos. A não ser claro que se espera que as empresas mais fracas acabem por cair e as melhores e maiores absorvam essa fatia do mercado e se tornem exponencialmente maiores e entremos numa nova era de inovação e comércio.

Nos EUA por exemplo as gerações mais novas acreditam que cada euro investido no mercado de ações resultará em ganhos muito superiores aos que resultariam do seu trabalho e há cada vez mais pessoas a privarem-se do presente e a utilizarem todas as suas poupanças com a expetativa de darem um salto qualitativo na sua vida dentro de meses. É quase uma corrida ao ouro semelhante à que ocorreu no sec. XVII nos EUA.

Mas não estaremos perto de uma nova bolha especulativa? Tudo o que é forçado a crescer acaba por cair. Todos se lembram de 2008 alavancada pelo investimento imobiliário onde cada americano acreditava que podia ter 2 ou 3 empréstimos bancários. Depois para pagar logo se via…. Mas quem não fosse atrás deste investimento ficava atrás dos seus amigos e os bancos eram bastante simpáticos na altura.

Mais tarde ou mais cedo aparecerá um travão no crescimento a colocar a vida de todas estas pessoas em risco? Ou realmente vamos passar para uma nova era de crescimento onde quem investir mais e primeiro tem mais hipóteses de ficar super-rico? Daqui a 10 anos voltamos a este artigo.

Data: Financial Times

A ambição de sermos felizes

Passamos uma vida a pensar naquilo que gostaríamos de fazer. Aquilo que nos faz saltar da cama às 6 da manha sem que sintamos o peso do mundo às costas. Ai seu eu tivesse todo o tempo do mundo faria isto e aquilo… pensamos constantemente. Viajariamos, estariamos mais tempo com amigos e familia, escreveria a tempo inteiro no nosso blog ou criariamos um canal de youtube sobre o nosso hobby. Mas a realidade por vezes não é bem assim. Se esta oportunidade aparecesse ganhariamos uma vida nova durante uns meses. Fariamos tudo e mais alguma coisa e depois cairíamos numa nova rotina que nos obrigaria a pensar constantemente a planear no que fazer para aproveitarmos o tempo. Na verdade iriamos procurar uma coisa que não é fácil de alcançar e continuarmos a sentir-nos em falta com qualquer coisa.

É simplista dizer “faz o que gostas e nunca terás um trabalho”. Foge, corre e aproveita o teu tempo porque a vida termina rápido. Mas na verdade, fazer a tempo inteiro uma coisa que gostas passa a ser um trabalho e terá igualmente altos e baixos. E os baixos acompanhar-te-ão o resto da vida. E fazer este caminho sozinho é sempre mais dificil do que acompanhado.

Acredito que podemos ser felizes num trabalho que nos dê um propósito e espaço para sermos nós próprios. E esse trabalho tem altos e baixos, mas sabermos que o nosso trabalho é útil e que os colegas confiam em nós dá-nos mais conforto para vivermos o dia-a-dia e conseguirmos ter uma compensação financeira que nos ajude a manter algo diferente nos tempos livres. Que nos permita viajar, mandar vir refeiçoes sem ter que cozinhar todos os dias ou até pagar a alguém que nos arrume a casa e nos liberte para perguiçar no fim de semana e brincar com os filhos.

E para as empresas que consigam criar este ambiente também têm a ganhar. Ganham pessoas mais motivadas dispostas a fazer um esforço maior do que o seu horário e funções regulares.

É simples. Se estamos mal mudamos. Se estamos mais ou menos procuramos mudar-nos e ver a vida com outros olhos.

Mas a maior angústia de todas é nem sequer tentarmos sermos felizes. É um peso que vamos carregar quando estivermos na fase final da nossa vida. E se…. E se tivesse feito as coisas de outra forma. Basta não nos acomodarmos muito e limitarmo-nos a queixar ano após ano.

Inovar dá trabalho

Querer inovar é como querer pescar com o peixe já a morder o isco. Saltam-se facilmente todas as etapas para que os resultados apareçam imediatamente. E isso não acontece assim. É preciso investir recursos – sobretudo tempo e pessoas – para que se crie uma cultura de inovação e se promova uma forma de trabalhar que aceite o risco e alguns resultados menos conseguidos. Se ao fim de um periodo de tempo os resultados positivos forem mais que os menos conseguidos então é porque foram criadas as condições adequadas.

A inovação é normalmente feita em part-time em cima de todas as tarefas que já existem por forma a não se recusar dar o dar espaço a quem tem essa necessidade. Mas o resultado é que no final os projetos fiquem a meio porque outras prioridades se colocam no meio.

As organizações têm sempre um conjunto de pessoas que abraça rápidamente a inovação e dá um passo em frente quando há esse chamamento. No entanto, passados alguns meses rapidamente se apercebem que são avaliadas apenas pelas sua tarefas habituais e começam a desligar-se dos projetos inovadores. Então, o que deve ser feito de forma diferente?

Em primeiro lugar, criar o espaço para a inovação, seja ele um forum de pessoas, com ou sem lideres de projeto, uma sala. E esse espaço e essas pessoas têm que conseguir encaixar no seu plano semanal espaço para se juntarem e pensarem. Este é capaz de ser o passo mais fácil da inovação. Juntando as pessoas certas rapidamente aparecem as ideias.

O passo seguinte pode ser definido como a estruturação. A equipa está motivada para arrancar com a estruturação das suas ideiais. Criam-se textos básicos com as ideias, dividem-se as pessoas em equpas e voltam a reunir para integrar tudo num documento. E fica tudo ótimo organizado no papel até à fase mais complicada que é adoção da inovação pelas equipas, departamentos, ou seja, pelas pessoas. E é aqui que a maior parte dos projetos falha. Não basta simplesmente lançar um email a informar que a partir de agora deve ser feito de forma diferente. Temos que entrar num lado mais psicológico se acreditamos profundamente que a ideia lançada é melhor do que o status-quo. E mesmo aqui há muitas ideias inovadoras que acabam por cair porque alguns membros da equipa nunca acreditaram verdadeiramente nelas. E desligam-se. E fica tudo a marinar.

As empresas têm que ser inteligentes em duas fases cruciais. A primeira é na eliminação de ideias que não tenham verdadeiramente potencial de implementação, ainda que a equipa acredite nelas. Deixar-se avançar uma ideia apenas porque foi fixe o trabalho em equipa é o primeiro passo para o desperdicio de recursos. É preciso haver alguém com visão dentro da equipa e fora para cortarem logo o mal pela raiz sem desmoralizar as tropas.

A outra fase decisiva é na escolha das pessoas para a implementação. Não é possível delegar na implementação. É preciso que quem acredita nas ideias as partilhe com os utilizadores finais. E é importante que seja alguém que conheça as dificuldades dos utilizadores finais e que consiga demonstrar a sua visão e o impacto positivo que terá a médio prazo. E começar por aqueles utilizadores que vejam mais rapidamente as vantagens.

No final, criar métricas para garantir que a implementação é definitiva e um sucesso. Como medir a eficiência, a redução do trabalho administrativo, aumento das vendas, entre outros.

Inovar dá trabalho e não dá para ser feita em part-time em cima de uma equipa já saturada. É preciso estruturar e ser inteligente na sua implementação. Nem todas as empresas precisam de ser disruptivas na inovação. Mas nem todas precisam também de dizer que são inovadoras apenas para ficar bem vista no mercado quando não se investe o minimo necessário.

Selecção Artificial

Muito bem, vamos escolher hoje os perfis dos humanos que vão colonizar Marte para garantir a sobrevivência e evolução da espécie em caso de alguma catástrofe. Há várias catástrofes naturais que estão aí à porta mas qualquer uma delas afetará parcialmente o planeta morrendo nunca mais do que 10% da população mundial. Por isso não há grande problema com isso. O aquecimento global também não afetará mais de 75% do planeta. A faixa que vai do hemisfério norte ao polo do planeta aumentará uns graus o que até é bom para quem está habituado a viver no gelo. O resto do planeta morre com sede e essas coisas.

Vamos focar-nos nos dois cenários mais realistas. O choque de um meteorito que destrua todo o planeta é bem possível. Ou um virus que alastre sem controle a todos os continentes e que seja mais mortifero do que o Coronavirus. Um Ébola reformulado seria um bom exemplo.

Bem, vamos contruir uma matriz de perfis. De um lado a personalidade e do outro lado a competência assumindo que todos conseguem levar a nave terráquea até Marte e que não é preciso levar tripulação especifica. A capacidade da nave são 100 pessoas e a próxima só volta passados 100 anos.

Primeiro, levava gente para trabalhar. Vai ser necessário construir coisas e dá trabalho e demora tempo. 20 trabalhadores. Gente forte e que goste de construir. Que não adoeça muitas vezes e que não conteste muito o que tem que ser feito. Gente submissa senão é complicado ter que “negociar” vontades num ambiente novo para todos. Vamos apostar em que não tem educação e que acredite fácilmente num propósito e valores fáceis de transmitir por toda a população. Talvez um santo padroeiro do trabalhado Marciano.

Depois temos que levar Engenheiros e Arquitetos e toda a gente mais especializada em construção. 5 destes. Agrónomos, metereologistas, cientistas, fisicos, professores para garantir a continuação do conhecimento. 15. Psicólogos e Psiquiatras. Alguém para manter a autoridade e regras sujeitos a uma elite que interpreta as leis porque são mais inteligentes do que os outros.

Não podemos manter as mulheres inteligentes ocupadas com filhos porque fazem falta nas suas funções. Desde a gravidez aos primeiros anos de maternidade. Por isso levamos mulheres que sirvam para reproduzir, que cuidem dos miudos e que se ocupem das tarefas domésticas de todos os outros habitantes de Marte. Levamos muitas destas pessoas.

Conseguimos chegar a Marte. A terra implode. Quantos anos nos aguentamos?

Como vamos manter os operários satisfeitos com as suas funções mais pesadas, será que devem ganhar mais do que as pessoas com trabalho mais intelectual? Ganham todos o mesmo? Então o que me motiva a fazer trabalho forçado? Na terra há centenas de outros homens para a mesma função, mas aqui são limitados.

Quem tem mais filhos? O objetivo é crescer rapidamente o numero de pessoas. Todos têm os filhos que conseguirem fazer e todos os miudos vão para a mesma escola que tem um ensino transversal durante 5 anos mas rapidamente passam para a especialização porque o seu conhecimento é necessário. Como se dividem aqueles miudos que vão ser operários daqueles que vão ter um trabalho mais intelectual? Pela vontade e motivação de cada um ou faz-se um planeamento central do que é preciso em cada momento e “motivam-se” ou miudos a encaminharem-se onde fazem falta?

É preciso manter a ordem em Marte e tem que haver regras. Mas quem decide à medida que a população cresce? Voto anónimo para cada decisão? Ou elegemos um lider em que confiamos para tomar decisões?

Como será Marte daqui a 100.000 anos? Vamos conseguir ser humanos e criar uma sociedade justa e sustentável? Ou vamos ser o que somos e acabar por nos destruir a nós e o novo planeta?

Economia no Futuro

Enquanto os efeitos nefastos da pandemia atingiam todo o mundo e os governos e autoridades de saúde lutavam por encontrar soluções que garantissem o equilíbrio entre manter postos de trabalho e controlar o vírus, outras entidades investiram os seus recursos a pensar o futuro a longo prazo. Não havia informação estatística que ajudasse a modelar o futuro dentro de 5 ou 10 anos mas foi necessário tomarem-se decisões. E os grandes fundos de investimento mundial têm das pessoas mais inteligentes e brilhantes a pensar nestes temas.
Houve fundos que investiram forte na falência dos negócios mais tradicionais, acreditando que nunca sobreviveriam a vários anos sem receitas. Houve outros que olharam mais à frente na recuperação e tentaram identificar o futuro da nossa sociedade, da humanidade e consequentemente da economia.
É a altura destas organizações decidirem o que avança e o que se afunda na falência. É assim que funciona (infelizmente?).
Onde estarão os empregos do futuro? É na genética, na condução autónoma, online, alimentação sustentável, canábis, medicina online? Há tantos caminhos para onde ir e começar do zero. Há tantas ramificações para o futuro da nossa sociedade que é quase assustador tentar adivinhar onde estaremos daqui a 100 anos. Mas parece-me que é aqui que começa.

Como ousam colocar o nosso conforto em causa

Em 1750 haviam 791 milhões de pessoas no mundo. Em 1975 éramos pouco mais de 4.000 milhões. Atualmente somos 7.700 milhões e em 2050 estima-se que este numero chegue aos 10.000 milhões.

Até há relativamente pouco tempo os recursos que as zonas mais desenvolvidas retiravam de parte do planeta menos desenvolvido deu para o seu desenvolvimento de forma cega e egoísta. Mas bem… bem vistas as coisas os recursos estavam ali e ninguém os estava a aproveitar. Ainda que pudessemos ter pensado que quando as zonas menos desenvolvidas se desenvolvessem apenas mais um pouco não iam ter à porta de casa os recursos que entretanto retirámos e limitariamos o seu crescimento, isso não foi um obstáculo ao nosso próprio crescimento. Talvez tenhamos pensado que quanto mais rápido nos desenvolvessemos e passássemos o patamar do conforto total das nossas pessoas mais poderiamos partilhar com eles o nosso sucesso e puxá-los para cima. Um pouco como aquelas pessoas que secam tudo à sua volta até serem milionários para depois conseguirem ajudar os pobres com as migalhas do seu sucesso.

Pois bem, crescemos. Os recursos serviram não apenas para dar um bom nível de vida às nossas pessoas mas o conforto gerado permitiu uma reprodução descontrolada do ser humano. Sobretudo na Ásia onde as melhorias na produção e agricultura não fizeram com que as pessoas quisessem ter menos filhos e obriguem agora os estados a pensar nua forma de reduzir a fertilidade.

Mas cá estamos. Continuamos a popular o planeta, com maior pressão para as zonas mais agradáveis e com crises cada vez maiores de milhões de pessoas a deslocarem-se do hemisfério sul para o hemisfério norte a reclamar a sua parte do tal conforto construído à base dos recursos que foram retirados de perto da sua casa.

O conforto dos confortáveis está a ser colocado em causa. Que chatice agora ter que levar com refugiados e migrantes quando se estava tão bem. Podemos investir milhões e milhões a melhorar as condições de vida nos países de origem. Mas será que no limite terão que ser todos milhões que foram retirados dos recursos ao longo de séculos? Mas este investimento vai afetar o bem estar das nossas pessoas. É mais fácil construir muros. Faz-se um muro que divide o hemisfério norte do hemisfério sul. A vamos atirando comida para lá… deve dar. Afinal estão habituados à pobreza e sacrificio. E vamos lá passar umas férias de vez em quando e gastamos dinheiro em turismo. A nós não nos custa assim tanto e eles agradecem-nos.

Mas à medida que aumenta a pressão sobre as nossas fronteiras temos que ir pensando numa alternativa caso os muros não aguentem muito tempo. Pegamos nas nossas pessoas e vamos para Marte. E depois com uns tubos gigantes sugamos os recursos de todo o planeta para que assegurem a nossa vida noutro planeta. E vamos monitorizando a vida no planeta terra pela tv e pensando “que selvagens…”.

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DeFi (Decentralized Finance)

Em desenvolvimento há vários anos, 2020 parece ter sido um ano de viragem e aceleração no conceito de DeFi (Decentralized Finance). Em apenas 1 ano o valor total dos ativos geridos em ambiente DeFi Smart Contracts passou de $670M para $13B.

O conceito DeFi pode revolucionar (ou fazer evoluir) o sistema financeiro mundial de tal forma que daqui a alguns anos todos os contratos que fazemos não precisam de intermediários. Desde empréstimos bancários, seguros e todas as burocracias com o Estado.

Este ecossistema é assente em tecnologia Blockchain que garante que toda a informação é acessível a todo o momento e para sempre e gerido através de Smart Contracts Ethereum que tem milhares de developers a desenvolver novas apps todos os dias em todo mundo.

Esta redução de intermediários obrigará a uma revolução no sistema financeiro e fará com que milhões de pessoas em todo o mundo possam ter acesso aos benefícios de uma gestão contratual formal de forma descentralizada da qual apenas países desenvolvidos beneficiam atualmente. Por exemplo, subscrever um simples seguro não é fácil em países onde a economia informal tem um peso elevado estando as populações expostas a riscos que não conseguem ultrapassar nunca saindo do seu estado de miséria. Assim como obter um empréstimo de uma instituição para lançar um negócio. Se o teu país não consegue gerir os registos e validar-te licenças em tempo útil ficas perdido e derrotado na burocracia e corrupção institucional ou avanças sem as garantias que uma economia formal assegura.

Vai demorar algum tempo, mas já começou.

Blackrock

Os ativos da Blackrock – a maior sociedade de investimentos de todo o mundo – atingiu este ano $9 “triliões” tendo como estimativa atingir os $15Tn em 2025. Os ativos que detém colocam-na apenas abaixo do PIB das 2 maiores economias mundiais: Estados Unidos e China.

A Blackrock tem interesses em empresas de todo o mundo, incluindo empresas concorrentes entre si e exercendo lobby para privatização dos sistemas de pensões passando a integrar os seus fundos.

A sua plataforma de gestão de portfolios de investimentos – Aladdin – vendida às restantes entidades financeiras, gere atualmente ativos de valor superior a $21tn.

Para além de deter a economia mundial, a Blackrock está a tentar salvar o planeta fazendo saber às empresas que um fator critico nas suas decisões de investimento são as práticas sustentáveis ao nível do meio ambiente. O seu CEO já foi apontado várias vezes para o departamento do tesouro norte americano em diferentes administrações.

Até agora, o trabalho feito pela Blackrock tem sido fenomenal, alavancando negócios, promovendo a sustentabilidade e inovação. Mas até que ponto uma organização tão grande pode continuar com este crescimento e poder de forma sustentável?

Colocará este crescimento nas agendas de todo o mundo a discussão de uma nova forma de governação mundial para os próximos séculos? Um modelo em que alguém mais inteligente do que todos os outros assume a rédea do mundo, removendo todas as suas ineficiências e lutas desnecessárias e fazendo do planeta um único país com várias regiões? Que controlos poderão haver para que não se torne numa ditadura mundial?

A verdade é que já foi começado este caminho. E não se fazendo nada, as coisas fazem-se sozinhas.

Príncipe de Poyais

via https://pt.wikipedia.org/wiki/Gregor_MacGregor

Gregor MacGregor (Edimburgo, 24 de Dezembro de 1786 – Caracas, 04 de Dezembro de 1845) foi um militar, aventureiro e vigarista escocês. Por muitos é considerado o maior trambiqueiro da história, com sua lábia e astúcia conseguiu enganar muitos ingleses após inventar Poyais, uma monarquia latino-americana com instituições sólidas, economia moderna, um exército respeitável e grandes recursos naturais.
Através de uma campanha publicitária elaborada, ele conseguiu persuadir as pessoas não só para investir as suas poupanças nos títulos de um governo não-existente, mas também emigrar para um país fictício. Assim, viveu durante anos vendendo terras e cargos de Poyais. Morreu em 1845, aos 58 anos, em Caracas.

Em todas as gerações há um trapaceiro. Alguém que vê mais longe do que os outros e não tem medo das consequências. Alguém mais esperto e que sabe articular muito bem a sua visão. Na sua cabeça muitas vezes é criada uma narrativa legitima para que seja mais fácil executar a trapaceirice. Após vários anos acreditam mesmo que é legitimo. Estas pessoas têm sucesso à custa da falta de educação das pessoas com quem interagem. Ou porque estão um pouco mais à frente numa determinada inovação e conseguem perceber as falhas e oportunidades antes de todos os outros entrarem.

O poder de um sorriso

Sorrir cria empatia com quem está contigo. E basta sorrir para criar um ambiente mais agradável na sala, baixar a guarda, remover barreiras à conversa. Quem sabe isto está à partida em vantagem porque tem consigo uma arma. O sorriso também pode servir para terminar uma conversa dificil num tom mais suavizado, sobretudo por parte de quem tem o poder na conversa. E quem tem demasiado poder numa conversa vê-se na obrigação de sorrir para que as suas ordens não sejam simplesmente ignoradas por quem as recebe. Cria-se empatia e tudo se resolve.

No final, tudo se limita a imitar um sorriso honesto. A maior parte das pessoas não deteta e sai com a sensação que está tudo bem. É quase um sorriso de condescêndencia do tipo “deixa estar, vou sorrir que é para ele pensar que fez alguma coisa de jeito apesar de eu e ele sabermos que não tenho nenhuma consideração por ele”.

A pessoa sai a pensar que está tudo bem, mas a sentir que algo não ficou bem.

Normalmente estas pessoas pensam que são intelectualmente superiores às outras. E normalmente são de facto.

A partir daqui sempre a descer Humanidade.

As sociedades evoluiram bastante desde os séculos passados. Resolveram-se problemas estruturantes da nossa vida. Começaram a canalizar-se esforços para causas globais como a fome no mundo, a paz, o ambiente. Mas é impressão minha ou atingimos o ponto mais alto do altruísmo humanitário no final do século passado? Quando assistiamos a missões humanitárias da Unicef em África. Quanto havia concertos de apoio a povos espalhados por todo o mundo. Ou era tudo uma bolha em que vivia a população do Ocidente e sempre foi assim?

Hoje temos problemas na ordem do dia que vão muito para além de ajudar um povo no outro lado do mundo. Os países lutam por dar assistência aos seus próprios povos e emergem problemas maiores que os problemas de povos. São problemas que se não resolvermos vão fazer com que a humanidade desapareça, como são as alterações climáticas. E vemos todos os dias como é difícil canalizar os esforços para este problema global. Como é difícil motivar os principais países que têm os seus grandes micro problemas para resolverem antes de conseguirem dar atenção a uma coisa que não é iminente mas que se não fizerem nada já vão acabar por não conseguir fazer nada no futuro.

E no meio disto tudo vejo cada vez mais sociedades egoístas e os poucos governos que são saudáveis em luta constante com os atropelos de grandes agências de lobby maiores que muitos governos. E cada vez mais vejo governos que não estão saudáveis e que já foram devorados. As pessoas a quem a democracia deu poder para escolher os seus líderes estão cada vez mais egoístas e a lutar pela sua própria sobrevivência. Não querem bem saber de quem está no poder porque na prática vai dar tudo ao mesmo. E então temos todos os agentes de uma sociedade a tentar vencer para si próprio e para a sua família. E quem tem mais poder continua a ganhar mais poder. E quanto mais poder tens menos poder de intervir consegue ter um estado, que aos olhos destas entidades, são entidades ridículas que só servem para atrapalhar.

As histórias de atropelos à lei são diárias. Mas ninguém quer saber. E se no passado os casos de corrupção originaram frustração e revolta dos povos, hoje em dia parece que os povos estão cada vez mais resignados e mais interessados em votar em partidos que possam fazer isto por eles, sabendo todos de antemão que quando chegarem ao poder são mais do mesmo ou não medindo algumas consequências que poderão ter para o futuro do país. E todas as revoltas que aparecem acabam por desaparecer. Vejam-se os motins por motivos raciais nos EUA ou a invasão do Capitólio. Passou. Serenou. E quem se aproveita dos mais fracos sabe que tudo passa. É apenas esperar que passe e voltar a atacar.

Estamos a assistir a um ponto de inflexão histórica da nossa humanidade rumo a nova época medieval dentro de 100 anos?

SPACS Pá!

A riqueza procura riqueza. Não, as pessoas muito ricas não guardam todos os seus milhões numa conta poupança. As pessoas remediadas guardam os poucos euros que têm para uma eventual necessidade. As pessoas ricas não vão ter necessidade, porque têm todo o dinheiro do mundo. As pessoas remediadas pensam que se fossem muito ricas não iam agir como as pessoas muito ricas agem agora. Iriam manter o mesmo nível de vida com mais qualidade e conforto apenas. Mas as pessoas muito ricas têm apenas como experiência ter muito conforto e qualidade. Então que fazer ao dinheiro? Se não fizerem nada, com o nível de vida que têm o dinheiro começa a desaparecer. Não entra dinheiro e saem quantidades enormes a pagar aos empregados que trabalham nas suas casas e jardins, na manutenção dos Ferraris. Então têm que investir. E o que significa investir? Transferir dinheiro para um projeto ou empresa para que cresçam e que retirem ganhos. As pessoas com muito dinheiro não trabalham. Põe o dinheiro a trabalhar para si. Colocam dinheiro aqui e ali e depois trabalham com tipos muito inteligentes que fazem com que o dinheiro cresça, como por milagre. Investem em tudo. Ações através de fundos de investimento ou imobiliário são o mais óbvio. Recentemente as SPACS ficaram na moda (por pouco tempo diria). As Special Purpose Acquisition Companies não têm atividade comercial e servem apenas para angariar capital (muitas pessoas ricas colocam o dinheiro nesta SPAC), comprarem uma empresa e levá-la para a bolsa. Em 2020, até Agosto tinham sido criadas 50 SPACS que angariaram $21,5Bi.

O processo é simples. Pegam numa empresa inovadora e fazem estimativas de vendas absurdas para os próximos 20 anos. Colocam a empresa na bolsa e os investidores (incluíndo particulares) compram porque se entrarem rapidamente vão conseguir acompanhar a evolução da empresa e beneficiar deste crescimento espetacular. Em uma semana, os investidores da SPAC ganham rios de dinheiro. Em algumas semanas chegam à conclusão que as vendas não vão ser bem o que tinham projetado e as ações começam a cair. Os tipos das SPACS já ganharam todo o dinheiro. Os que entraram depois (incluíndo particulares) vêm o seu investimento a cair.

Queres ganhar dinheiro e não sabes como? SPACS pá!

A vida do Einstein é igual à vida de qualquer um

A vida do Einstein é igual à vida de qualquer um. A vida de qualquer génio é igual à vida de qualquer um. A pequena diferença é que se tornam obsessivos com os seus interesses e tudo o resto se torna acessório. Estão dispostos a sacrificar a sua vida e o seu bem-estar porque são preenchidos pela busca de algo. O Einstein queria demonstrar a teoria geral da relatividade. O Da Vinci queria encontrar o traço perfeito a cada desenho e a perspetiva perfeita da realidade. E no meio disto tudo tinham o resto da sua vida para lidar. O amor, as pequenas burocracias, as finanças pessoais. Mas estavam-se nas tintas. No caso do Da Vinci, literalmente nas tintas. E o mundo que os rodeia pode desabar, podem ficar tristes, felizes, frustrados, mas o foco geral está lá sempre, às vezes desfocado. Ser o melhor, não por apenas ser o melhor, mas porque acreditam que aquilo é a sua razão de viver. A diferença dos génios para as pessoas comuns é que encontram esta razão de viver cedo e são… geniais. O resto das pessoas passa a vida a procurar aquilo em que são boas e muitas vezes não encontram nada. Então encontram formas de passar cada dia da sua vida, de sobreviver, de agradar a quem os rodeia. E a vida assim pode ser tão miserável. No entanto, quem não tem consciência de quão miserável é a sua vida, vive a vida feliz com o que tem.