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Sorte

“Luck. Whenever I hear that someone has gotten lucky in this business, the truth is that this person was just prepared when the right opportunity presented itself.” (from “The Standup Comedy Manual” by Ken Phillips)

Lavar loiça

Lavar a loiça tem sido das coisas que mais me ajuda a relaxar. Talvez porque não tenha que o fazer todos os dias. Mas estar ali, focado a ouvir uma música e a ordenar pratos e copos, faz com que a confusão de pensamentos na minha cabeça se alinhe. Alguns estudos ou estudiosos dizem que algumas tarefas diárias nos ajudam a tornar mais organizados e responsáveis. Como fazer a cama todos os dias de manha – o que é uma seca. E de facto, ajuda. Depois de a cozinha estar arrumada, aparece logo em mim uma vontade de fazer outras coisas. De cozinhar, de ir à rua ou de brincar. É uma forma de quebrar aqueles momentos em que nos sentimos amorfos no fim de semana.

Não iria tão longe ao ponto de sugerir que lavar a loiça cura a depressão. Mas lavar a loiça, na minha rotina, permite-me estar sempre longe dela!

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Um exemplo!

Como bom Portugês tive momentos em que não achei nada de especial o Ronaldo. Talvez fosse porque apareceu no rival do meu clube e como todos os adeptos senti que não deveria gostar dele. Depois aquela atitude por vezes também não ajudava, sobretudo quando foi ao estádio da Luz pelo Manchester e mandou os adeptos do Benfica dar uma volta. Se tivesse deixado de jogar ao mais alto nível a partir daí ou estivesse na China, fazia dele apenas mais um excelente jogador que já não o era mais. Mas não foi assim. Este homem continua a trabalhar com um foco tão grande que me impressiona, sempre lá em cima. Este homem faz questão de ser o melhor num país de espanhóis que por vezes (quase sempre) são bastante arrogantes e maldosos. E vejo o Ronaldo como um exemplo de vida, sobretudo a nível profissional. Ter A-T-I-T-U-D-E na vida, trabalhar para ser o melhor e depois de o ser puxar dos galões para que todos o reconheçam. Aqui o português típico pode ser o melhor do mundo mas com a vergonha do reconhecimento, na maior parte das vezes passar despercebido. Ser arrogante é uma forma de forçar que os outros reconheçam que é o melhor e não há volta a dar. Ser arrogante com os maiores e ser humilde com os mais fracos é quase o papel de um super herói. Muitos não percebem as constantes revisões de contrato e os aumentos no seu salário. Mas faz todo o sentido. Se ele não o fizer, haverá outra estrela a surgir e que irá reclamar o seu estatuto. E se o clube acede a rever e aumentar o seu salário então é porque reconhece que o investimento compensa.

Podemos concordar que o Messi é mais virtuoso. Mas a atitude vencedora do Ronaldo bate todos os rivais, a grande distância!

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World Cup Insurance

Noticia.

“Insurer Beazley estimates that the event is insured for more than $10 billion across organizations including stadiums, hospitality firms, TV companies and the clubs.

The 12 stadiums, from Yekaterinburg in the east to St. Petersburg in the north, Kaliningrad in the west and Sochi in the south, are insured for physical damage to a sum of around $1 billion. A further $250 million is for terrorism liability, and $100 million is for active shooter policies.

Demand for active shooter policies, which include attacks using vehicles or knives, has risen compared with Brazil, said Chris Parker, head of political violence, terrorism and kidnap and ransom underwriting at Beazley.

Mr. Lockwood said insurance premiums against terror attacks were less than 0.5% of the sum insured, cheaper than for Sochi. That means for every $1 million of cover, policyholders would be paying $5,000 in premium.

(…)

 

Beazley estimated that the hospitality industry was insured for $500 million against the risk of event cancellation, with a further $150 million of insurance linked to World Cup-related sales promotions.

Ticketing agencies may have insured against a cyber breach, and clubs will likely have bought cover in case of injury and loss of player income.

Organizer FIFA has paid $134 million for insurance for clubs whose players get injured.

Lloyd’s of London estimates that the legs of forwards — the most valuable of all the players — have an average insurable value of more than £19 million ($25.33 million).”

 

Aquele Português

Depois do primeiro ministro António Costa, parece que o Presidente Marcelo também vai aos Estados Unidos da América (Artigo de José Pacheco Pereira aqui). E é engraçado tentar antecipar alguns momentos de conversa entre os dois. De um lado um presidente que não sabe sequer com quem está a falar, o seu país ou a sua história – Trump. Do outro lado o presidente dos afetos. Consigo antecipar o presidente Marcelo a pôr-se em bicos de pés para dar dois beijinhos ao seu interlocutor. Vejo o Trump a corar e a aceitar o beijinho. Vejo o Marcelo a dizer-lhe com uma voz serena ao ouvido “grandalhão, vê se te portas bem, ok?”.

Faz-me confusão como é que uma potência dos EUA e as suas pessoas estão tão ensimesmadas que não fazem ideia que Portugal é o primeiro país ao entrar na Europa. A minha sugestão é que o presidente Marcelo leve a estátua do Ronaldo para todo o lado num carrinho de roldanas puxado por um fio. Aí até o presidente Trump diria, quem é aquele tipo ao lado do Português Ronaldo? “Nice Guy!”

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Não nascemos ensinados

Ser pai de uma menina é maravilhoso. E cansativo. E nesta fase, com 5 anos, é impressionante como conseguimos observar as várias fases do seu crescimento. Esta semana fomos à praia os 2. Pai e filha. Tudo para correr de forma perfeita e como nos filmes não fosse o caso de estar vento, ter que levar a mochila, toalhas, chapéu e brinquedos às costas. Não fosse o facto de aparecer a birra quando a avisei que tínhamos que vir embora e que não podíamos dormir na praia. O ter que a carregar ao colo até ao carro. E no dia seguinte ter que ficar em casa com ela no meu dia de férias porque ficou com febre tal como eu a avisei 20 vezes que aconteceria caso não pusesse o boné – e não pôs. Mas é à noite quando está a dormir e eu a observo que sinto que tudo vale mais do que a pena.

A fase de crescimento que observei neste dia de praia foi a porcaria da toalha, que não esteve sem areia um segundo. Já na parte final do dia percebi que estava sempre suja porque o raio da miúda sempre que via que eu limpava a areia fazia questão de a pisar com os pés cheios de areia. Não percebi bem porquê no inicio mas depois tive um flash. Acho que simplesmente me esqueci de a avisar que já não é um bebé. E que nos anos anteriores ela ficava de pé na toalha porque depois do banho a trazia ao colo para não sujar os pés. Nela também se fez um clique. Deve ter pensado “realmente, isto de pisar a toalha com os pés de areia é estúpido”. Ensinei-a a sentar-se com os pés para fora da toalha. E foi assim, de forma simples, que consegui nos últimos 10 minutos da nossa tarde de praia deitar-me a apanhar sol enquanto ela brincava com a sua nova amiga, a Carlota.

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Eutanásia

Hoje o parlamento não aprovou a despenalização da eutanásia. É um momento triste. Não pelo resultado mas pela triste figura que todos fizeram. Faltou definir muita coisa e na ambiguidade da definição cada um interpretou como achou melhor. Vi vários cartazes com “não matem velhinhos”. Suponho que estes cartazes sejam pelo “não”, mas olho para mim e não vejo o meu “sim” como oposto a esse “não”. Ou seja, eu defendo a eutanásia mas realmente não quero que se matem velhinhos. Aliás quero que todos os velhinhos que não queiram morrer, que tenham todas as condições para serem tratados  e no limite também quero que quem nunca manifestou interesse em morrer que tenha os cuidados paliativos que merece. O meu “sim” é simplesmente ter o poder de decidir que em alguma altura da minha vida em que estiver de tal forma saturado, cansado, triste e sem forças, possa ter a liberdade de dizer “matem-me”. Não quero ter que ir procurar veneno, atirar-me de uma ponte ou procurar uma arma e correr o risco de a minha neta me encontrar pendurado numa corda num quarto.

Hoje é um dia triste para mim. Há poucas coisas que me dizem tanto. Talvez porque é apenas a minha vida. E talvez porque vi os últimos minutos da vida do meu avô em que um cancro rapidamente transformou uma vida relativamente normal numa angustia brutal em que não era o mesmo homem, que gemia de dores quando ninguém lhe tocava, que não reconhecia a própria filha que esteve com ele o tempo todo e que já não era ninguém. Nunca nos disseram. Após horas naquela angústia deixaram-nos ver o sofrimento daquele homem. Quando veio a noticia que morreu, para nós foi uma enorme tristeza. Tristeza pelo homem que foi a vida toda e pela forma como a morte lhe reservou aqueles minutos. E foi um alivio pensarmos “foi melhor assim” e não sentir raiva dos médicos caso tenham facilitado o processo.

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Talent

“Talent is the first element in building a great team. It’s a people-first approach. You need people who are a good fit. They need to have the desire and the capacity to learn and grow. They are people who enjoy being part of a team. Talent implies recruiting. Not accepting. Not settling. Talent is a higher bar. Great teams always have talented people.” (from “The Secret of Teams: What Great Teams Know and Do” by Mark Miller) – The Secret of Teams: What Great Teams Know and Do. por Mark Miller

Start reading it for free: http://a.co/ahsd3gx

Palestina e Israel, que grande confusão

Não sou historiador nem politologo. Mas tenho opinião: Palestina e Israel, que grande confusão que para ali vai há tantos anos, há tanto séculos.

Imaginem que éramos um extraterrestre e tínhamos passados os últimos 20 mil anos a observar o planeta terra, sentados na lua. E que para nós 2 mil anos eram aproximadamente 2 anos na nossa longa vida extraterrestre.

Neste papel pensaria que os humanos são estúpidos e irracionais. O planeta terra anda em guerras de forma continua por dois motivos: religião e conquista de novos territórios. O primeiro motivo vai-nos parecer óbvio a todos quando se tornar claro que não existe qualquer deus e assumirmos que a religião está dentro de nós e que não passa disso. Porque motivo faz o ser humano cruzadas para espalhar a religião a outras pessoas? Não é racional e visto da lua parece bastante mesquinho. O segundo motivo – as conquistas – não passa da ambição de um povo ou de um líder em controlar outro povo ou outro líder. Se somos todos seres humanos, porque motivo estamos a lutar entre nós?

Na minha observação enquanto extraterrestre iria concluir que o ser humano é uma raça estúpida. Não mais estúpida que um cardume de peixes num aquário. E o melhor exemplo disso mesmo é o conflito entre Israel e a Palestina, assente – lá está – na conquista de território e no conflito religioso. Há demasiado tempo.

E quanto descobrirmos finalmente que somos uma gota de água no universo e apenas mais uma de muitas espécies, estaremos preparados para pôr de lado as nossas diferenças e vivermos com objetivos conjuntos enquanto espécie humana?

“Foi chato”, diz Bruno de Carvalho

Noticia aqui.

Foi chato foi. Mas o mais chato é que os jornais peguem nestes títulos fora de contexto. A frase completa foi “Foi mau, foi chato ver as famílias ligarem preocupadas”. Entendo que o presidente do Sporting quis dizer que foi chato para as famílias terem que passar por aquela situação, no entanto a frase tal como aparece dá a entender que foi chato para ele ter o incómodo de passar por isto, sendo mais um exemplo da figura controversa dentro do futebol.

Neste momento não há muita margem de manobra para o BdC e tudo o que houver, por mais insignificante, vai ser usado para inflamar as suas declarações.

Enquanto Benfiquista, só me consigo rir do que se passa. E agora, com alguns anos de distância consigo perceber como os nossos rivais olhavam para nós no tempo do Sr. Vale e Azevedo e das suas ações enquanto presidente do Benfica. Na altura quase todos os Benfiquista defendiam o seu presidente contra tudo e contra todos.

Muitas vezes seguimos a liderança cegamente. Faz bem contestar sem ser reaccionário ou revolucionário. Fazer perguntas e ver como as pessoas reagem. Ter um contra-peso, uma alternativa visível.

É chato. Mas mais chato do que os jornais continuarem a usar frases fora do contexto, é continuarem a haver lideres que não perceberem que têm o poder de influenciar uma pequena multidão a invadir um centro de estágios.

 

 

 

Estudante morto a tiro

Passam 20 minutos desde que acompanho a reportagem da CM TV sobre o estudante morto a tiro. Uma câmera apontada ao local do crime e arredores e uma repórter falar em loop sobre o que aconteceu, o que terá acontecido e a entrevistar as pessoas na rua. Passados 2 minutos volta ao mesmo: “o estudante era natural de… e nada indicava que a noite teria este desfecho trágico… conhecia o rapaz?” E cá estou eu, pronto a ver mais 30 minutos disto.

Hospital S. João. Pensar não pesa no orçamento

Noticia aqui.

“Crianças a receberem tratamento oncológico nos corredores e buracos nas paredes são algumas das situações indignas denunciadas pelos pais.”

Todo o país se indignou com esta realidade neste hospital. Como é possível? Crianças? Doentes?

Crianças, doentes e saúde são daquelas coisas que moldam a opinião pública e dão votos aos políticos, sobretudo se associadas às restrições orçamentais neste setor em particular. É ver todos realmente empolgados no parlamento com esta situação. Como é possível que esta situação seja tão sensível a todos (partidos e pessoas) menos ao governo? Será por serem eles os únicos a estarem no governo ou será porque são sádicos?

Isolando esta situação em concreto, que não conheço bem, montemos uma história. Imaginemos um hospitalar que quer alargar a sua ala pediátrica/oncologia/whatever e não tem dinheiro. Todos concordam que é necessário o investimento, mas num contexto de mais de 100 hospitais a pedir o mesmo e com um orçamento já de 10 mil milhões (what??) há que gerir prioridades. E é mais prioritário o S. João ou o Amadora Sintra? Quem tem que tomar a decisão?

Pois bem, voltando à história, imaginemos a seguinte estratégia do hospital de S. João: Evitar obras de melhorias em que com alguns milhares de euros dariam bastante mais dignidade aos utentes. Evitar parcerias com entidades privadas para buscar patrocínios ou acordos que ajudem a melhor as condições das pessoas enquanto estão no hospital. Quando os pais se queixam, limita-se a dizer “não temos dinheiro e não podemos fazer nada. Mas faça o seguinte – o meu conselho como pai – queixe-se na televisão e vai ver que alguém olha para o bem-estar do seu filho”. Excelente ideia!!!

Pois imaginemos agora que os restantes 100 hospitais têm a mesma estratégia? Vai resultar para todos?

Não conheço a situação do hospital de S. João. E os nossos impostos devem ir para onde é preciso e parece que esta situação é urgente. Apenas não posso compactuar com o aproveitamento politico – parecem hienas – e com o mosca-mortismo (de mosca-morta pois bem) dos gestores públicos em que se limitam a pedir dinheiro para a gestão (excepto algumas situações que bem conheço que são exemplo neste país e no setor da saúde) em vez de encontrarem forma de gestão que saiam da sua zona de conforto, motivem as equipas e tragam aos utentes melhores condições a curto prazo. Pensar não custa e não pesa no orçamento.

Note: Não estou a falar da necessidade da nova ala com um custo de 22M€. Estou a falar de provisoriamente tornarem as instalações atuais mais dignas.

E-Topeira. Benfica. Corrupção.

Todos os clubes estão a contas com a justiça, no entanto o Benfica é quem tem os casos mais mediáticos e com investigações mais avançadas na justiça. Sou um crente na justiça e acredito que isto se deve ao facto de realmente haver provas mais concretas.

Sou um defensor do Luís Filipe Vieira porque cresci a ver um gigante adormecido, um gigante perdedor com equipas em que queria acreditar serem os melhores mas que eram bastante medianos. Neste momento temos um clube vencedor com estádios cheios e isso deve-se à gestão do LFV. Sem duvida.

Infelizmente, o poder tem um problema. Para lá se chegar é preciso remover muitas barreiras e isso na maior parte das vezes implica jogar sujo na fase da ascensão. Para se manter lá é preciso criar mecanismos para perpetuar o poder.

Não faço ideia se o Benfica ou o LFV são corrupto. Mas se são, independentemente de todo o mérito que tenham, devem ir presos! Nem que para isso tenhamos novamente um gigante adormecido durante uma década.